Florianópolis – A estiagem que dura mais de dois meses em Santa Catarina já provocou a quebra de safra de milho, feijão, fumo e soja em muitas propriedades do oeste e meio-oeste catarinenses. Até agora 29 municípios decretaram estado de emergência e nem as chuvas que caíram no final de semana em algumas áreas foram suficientes para resolver o problema, que chegou a atingir 171 municípios no último verão.

O secretário de Agricultura de Santa Catarina, Moacir Sopelsa, informou que caminhões-pipa cedidos pelas prefeituras estão levando água captada em cisternas, poços e pequenos açudes para os locais onde a seca é mais severa. Nesta semana será apresentado um plano para a adoção de pequenas irrigações nas lavouras, uma técnica cara que não pode ser aplicada em todos os casos.

O oeste e meio-oeste catarinenses são as regiões que mais sofrem com a seca, que está se espalhando e fez o prefeito de Petrolândia, no Alto Vale do Itajaí, a decretar emergência. Em Arvoredo, as últimas chuvas ajudaram as lavouras em desenvolvimento, mas outras estão muito prejudicadas. De acordo com o prefeito Neuri Meneguzzi, a quebra é estimada em 80% no fumo e feijão e 30% no milho e no leite.

Em Erval Velho, no meio-oeste catarinense, a estiagem estava sendo sentida desde novembro último. Depois da chuva do final de semana, houve dois dias seguidos de sol e calor intensos, o que agravou a situação e fez o prefeito decretar emergência na tarde de quarta-feira. Com perdas de metade da produção de milho e de 30% no feijão, soja e leite, que são a base da economia no município, o prejuízo estimado pela prefeitura é de R$ 4,5 milhões. Na região, o abastecimento urbano de água ainda está normal, de acordo com a Companhia de Águas e Saneamento (Casan). Por enquanto não foi preciso fazer racionamento, como aconteceu no ano passado, embora a situação seja preocupante.