Brasília ? A atualização de 8% na tabela do imposto de renda foi insuficiente para repor a inflação dos últimos 10 anos, segundo avaliação do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco). Para a diretora de estudos técnicos do sindicato, Clair Hickmann, esse índice deveria ser de 57,66% para repor a inflação do período. "A tabela do imposto de renda está congelada desde janeiro de 1996. Neste período ela sofreu apenas três reajustes: em 2002, de 17,5%; no ano passado de 10%; e agora de 8%", disse Clair.

A correção da tabela do imposto de renda foi decidida ontem (24) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Clair, para repor a inflação apenas do atual governo, o reajuste deveria ter sido de 13% e não de 8%. "A inflação do governo Lula é de 24,3%. Descontando os dois últimos reajustes na tabela ainda permanece uma defasagem de 4,63%, isso considerando o índice oficial do IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo]", afirmou a diretora.

Ela ressaltou que, sem a correção da tabela do imposto de renda, os trabalhadores não sentem no bolso os reajustes salariais. "Não adianta nada o trabalhador conseguir um reajuste no salário para repor a inflação e a tabela não ser corrigida. O imposto de renda come parte do reajuste que ele obteve", disse.

Antes da atualização de 8% da tabela, quem ganhava até R$ 1.164 não precisava pagar o imposto de renda. Agora, passará a ser isento quem ganha até R$ 1.257. Quem tinha rendimentos de R$ 1.164 a R$ 2.326 estava em um patamar cuja alíquota do imposto é de 15%. Com a revisão, está nessa faixa quem tem rendimentos de R$ 1.257 a R$ 2.512. Para o trabalhador que ganha mais de R$ 2.512, a alíquota do imposto de renda é de 27,5%. Antes essa alíquota incidia sobre rendimentos acima de R$ 2.326.

Pelos cálculos do Unafisco, pelo menos 650 mil pessoas serão beneficiadas com a atualização de 8% da tabela do Imposto de Renda. Cerca de 400 mil trabalhadores serão isentos e outros 250 mil trabalhadores pagarão menos imposto, já que passarão da faixa da alíquota de 27,5% para a de 15%.