A morte de um aluno de 16 anos no Colégio Estadual Santa Felicidade, Safel, no bairro Santa Felicidade, causou muita confusão e revolta na tarde desta segunda-feira (24), em Curitiba.
Era por volta das 15h15 quando outro adolescente também de 17 anos teria entrado na escola e discutido com os estudantes que participam da ocupação. Margarete Galdino, mora em frente à escola e relata o que ouviu, “foi uma gritaria, vim ver e os alunos estavam desesperados, correndo com a mão na cabeça, ofereci ajuda, mas eles nem conseguiam falar”.
A vítima teria sido ferida por duas facadas na região do pescoço e no tórax. Quando o Siate chegou para prestar atendimento o adolescente já estava em óbito.
De acordo com os alunos, o autor do crime também estuda na escola e após matar o colega teria pulado o muro e fugido.

Investigação

Várias viaturas da Polícia Militar foram até o local atender a ocorrência. Pouco tempo depois a rua já estava cheia de pais, mães e alunos aflitos para saber o que estava acontecendo. Os policiais tiveram trabalho para conter a população e explicar que a entrada no colégio não seria permitida. Policiais civis, instituto de criminalística, também estiveram no local e deram início imediato as investigações. No final da tarde, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná deu uma coletiva a imprensa. O delegado Fábio Amaro, da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa, afirmou que o caso trata de um homicídio e não de suicídio como apontavam as primeiras informações. O autor do crime já foi apreendido.

Direitos

Minutos após o crime advogados representantes do coletivo de Advogados e Advogadas pela Democracia chegaram à escola. Eles queriam entrar na instituição para acompanhar e dar assistência aos alunos que estavam no local. Somente depois de muita discussão e bate-boca com os policiais foi permitida a entrada de um representante. “Esses alunos estão em estado de choque. Eles precisam de assistência jurídica e psicológica”, disse a advogada Tânia Mandarino que ainda afirmou que a polícia desrespeitava os direitos dos adolescente ao ouvi-los sem a presença de um advogado.

Escola Ocupada

O Colégio Estadual Santa Felicidade, localizado na Rua Bortolo Paulin, está ocupado pelos alunos a mais de dez dias. O grupo protesta contra a medida provisória 746 que trata da reforma do ensino médio. De acordo com os professores da escola a manifestação era organizada. “Eu vim visitá-los várias vezes. O grupo estava em perfeita harmonia. Eles colocaram regras pra entrar e até mesmo nós professores sempre éramos revistados. Todas as noites os pais se revezavam e sempre um ou mais dormiam aqui. Estava tudo bem, eles estavam defendendo o direito a educação pública, não podem agora com essa tragédia colocar a culpa na ocupação”, afirmou a professora Lóren Júlia.

Os alunos da escola que não participam da ocupação, mas acompanham o movimento através de redes sociais também disseram que tudo corria bem dentro do colégio, “a gente sempre recebia notícias de como estava o movimento, e quais eram os próximos passos. Que eu saiba inclusive esses colegas estão cuidando da escola, fazendo jardim e carpindo”, contou o aluno do 2º ano que não quis ser identificado.
No Paraná mais de 800 escolas estão ocupadas, o movimento começou há 22 dias.

Beto Richa divulga nota

O governador Beto Richa se manifestou sobre o assunto. “A morte do estudante Lucas Eduardo Araújo Lopes, de 16 anos, é uma tragédia chocante, que merece uma profunda reflexão de toda a sociedade. É ainda mais gravíssimo e lamentável, porque aconteceu no interior de uma escola ocupada, que deveria estar cumprindo a sua missão de irradiar a luz do conhecimento e a formação da cidadania.

Externo à família desse estudante a minha solidariedade neste momento tão doloroso. E renovo o meu apelo para que os pais redobrem o cuidado com seus filhos. Peço ainda, mais uma vez, que os estudantes encerrem esse movimento.

A ocupação de escolas no Paraná ultrapassou os limites do bom senso e não encontra amparo na razão, pois o diálogo sobre a reforma do ensino médio está aberto, como bem sabem todos os envolvidos nessa questão. Que não se aleguem quaisquer justificativas para a continuidade desse movimento que vem causando prejuízos à educação do Paraná.”