Lucas Mineiro, uma das testemunhas do brutal crime contra o jogador Daniel Corrêa Freitas, recebeu ameaças logo depois de ir à polícia e contar tudo o que viu no dia homicídio, 27 de outubro. A revelação foi feita por seu advogado, Jacob Júnior, que esteve na delegacia de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, na tarde desta segunda-feira (19), para juntar ao inquérito as prints e áudios de mensagens enviadas por redes sociais com as ameaças.

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O defensor ainda chamou Edison Brittes Júnior, o assassino confesso, de “Judas Iscariotes”, em referência ao personagem bíblico que traiu Jesus Cristo, porque o empresário deu um beijo no rosto de Lucas quando convocou ele e mais algumas pessoas para um encontro num shopping, para “alinharem o mesmo discurso”, caso fossem procurados pela polícia.

Jacob explicou que, logo depois deste encontro, Lucas sentiu-se acuado. Continuou recebendo mensagens de Allana Brittes, com desculpas, mentiras e convites para mais festinhas e churrascos. “O Lucas se esquivava, porque não sabia exatamente o que fazer. Ainda não tinha advogado, até que me procurou e decidiu contar à polícia tudo o que sabia”, explicou o Jacob, que também mostrou que foi Lucas a primeira pessoa a revelar todo o crime e os envolvidos.

Como Lucas trocou de número de celular e redes sociais ainda antes do depoimento, ninguém mais conseguia falar com ele ou encontra-lo, já que o rapaz foi para São Paulo se proteger. Então logo que o jovem saiu da delegacia (e Edison ficou sabendo do depoimento), a mãe do rapaz começou a receber mensagens dos amigos de Lucas, contando que um ‘bandidão’ procurava por ele na casa dos amigos e que era melhor Lucas não voltar mais pra casa, pois seria morto. Pouco depois destas mensagens, Edison, a filha e a esposa foram presos temporariamente por 30 dias. Um dos objetivos da prisão era justamente o de evitar que eles manipulassem provas e coagissem testemunhas enquanto correm as investigações.

Ameaças

Jacob também contou que, o primeiro momento em que Lucas e os irmãos Purkote foram ameaçados foi ainda dentro da residência dos Brittes, quando Edison ordenou que ninguém saísse da casa ou que revelasse o que aconteceu ali. O segundo momento de intimidação, diz o advogado, foi durante o encontro no shopping, dois dias depois do crime, quando Edison falou que eles estavam formando um elo e que se o elo se rompesse, Edison saberia quem foi. “Foi por este motivo que o Lucas decidiu ir à polícia e contar o que sabia”, disse Jacob.

Judas Iscariotes

Questionado sobre o beijo que Edison deu no rosto de Lucas no encontro no shopping (tudo foi gravado pelas imagens das câmeras de segurança do local), mostrando o relacionamento íntimo que ambos teriam, Jacob rebateu: “Ele era mais amigo da Allana. Mas também conversava com Edison e Cristiana, tinham o telefone um do outro. Mas não eram assim íntimos. Mas quando você se depara com uma situação como essa, diante de um criminoso capaz de fazer o que fez, você presenciou um crime de tamanha barbárie, sente-se acuado com a intimidação, você tem outra opção a não ser recepcionar aquele beijo? Um beijo de Judas Iscariotes, sem dúvida”, analisou o advogado.

Jacob ainda justificou que não entregou antes as mensagens de intimidação à polícia (já que faz mais de duas semanas que Lucas prestou depoimento à polícia) porque disse que não gostaria de acusar ninguém, num caso tão complexo como este, sem antes checar a veracidade das mensagens e analisar a real necessidade de trazer aquilo à polícia. “Mas as mensagens intimidadoras só reiteram o motivo da prisão temporária dos Brittes e o porquê devem permanecer presos”, disse o advogado, que é de São Paulo e veio a São José dos Pinhais somente para esta “missão”.

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