Em depoimento prestado nesta quarta-feira (7), que durou cerca de seis horas, o empresário Edison Brittes Júnior, de 38 anos, assassino confesso do jogador de futebol Daniel Corrêa Freitas, manteve a versão de que matou ao reagir à tentativa de estupro de sua esposa, Cristiana Brittes, de 35 anos. Além de sustentar essa versão, o empresário desmentiu que tenha arrombado a porta do quarto do casal para resgatar a esposa, o que teria sido feito por um dos outros jovens envolvidos no crime. Edison, a esposa e a filha continuam presos na 1.ª Delegacia Regional de São José dos Pinhais.

As informações são do advogado de defesa da família Brittes, Cláudio Dalledone Júnior, que deu entrevista coletiva logo após o término do interrogatório, o que ocorreu por volta das 18h30 desta quarta. Conforme explicou a defesa, Brittes usou o depoimento para falar com sinceridade, apesar de não oferecer muitos detalhes sobre o que aconteceu na ocasião do crime. “O delegado de polícia explorou tudo, abriu a oportunidade dele falar e ele falou bastante. O caminho da sinceridade é sempre o melhor e é esse o caminho que ele está adotando”, afirmou Dalledone.

O interrogatório de Brittes era bastante aguardado. Havia expectativa de que o empresário detalhasse o homicídio, explicando como Daniel Corrêa efetivamente morreu. Mas, segundo a defesa, isso não vai ocorrer. “O interrogatório é uma peça de defesa. Depois da criminalística, dos exames de necropsia, do exame de local do crime, do exame feito na casa, onde havia manchas e respingos de sangue, ele falará sobre o que foi apurado. Ele tem esse direito constitucional. Isso é sagrado”, argumentou o advogado.

O delegado Amadeu Trevisan ainda não se pronunciou sobre as informações prestadas por Edison Brittes. Isso deve ocorrer em outro momento, possivelmente em entrevista coletiva. As únicas informações divulgadas nesta quarta foram da defesa dos Brittes. O que se sabe que deve constar no depoimento é mesmo a versão de que o empresário flagrou Daniel Corrêa na cama do quarto dele, tentando estuprar sua esposa, que teria gritado por socorro antes do crime ocorrer. “Ficou claro que esse pedido de socorro ele ouviu porque ele chegou mais próximo do quarto”, revelou Dalledone.

Outra argumentação informada pelo advogado é a de que Brittes não coagiu ninguém que estava na casa, mas o empresário teria desmentido a versão de que foi ele próprio que arrombou a porta do quarto, que estaria trancada. Na versão relatada oficialmente ao delegado, o empresário contou que foi um dos jovens e que não teria o nome revelado por ele. A mesma explicação foi usada no caso do celular de Daniel, o qual também teria sido quebrado por um dos jovens que estavam na casa.

Segundo a defesa, Edison Brittes também reforçou a responsabilidade dele no crime, mantendo a confissão pelo homicídio. O principal argumento seria o fato dos convidados para a festa serem jovens e ele ser o mais velho.

Apelo da defesa

Cláudio Dalledone Júnior disse que é preciso cautela com as informações que vazam para a imprensa sobre testemunhas do caso. O advogado ressaltou que mais pessoas serão interrogadas e que, as que posam de testemunhas, em algum momento, podem ter participação no caso, o que cabe à polícia investigar.

Por enquanto, no resumo que se tem das investigações, Edison Brittes assume a autoria do homicídio, não atribui isso a ninguém, e afirma que estava transtornado naquela noite. Ainda segundo a defesa, um interrogatório complementar deve ocorrer quando as analises da perícia forem incluídas nos autos do processo.

Prisões

Os outros três indiciados no crime que estavam junto com Edison Brittes no carro, no momento em que o jogador Daniel Corrêa foi levado para o bairro Mergulhão – onde possivelmente foi morto –, tiveram a prisão temporária decretada. A Polícia Civil confirmou que Eduardo Henrique Ribeiro Silva, 19 anos, já foi preso em Foz do Iguaçu, no oeste do estado, e já estaria sendo transferido para Curitiba.

Não há informação se já houve a prisão dos outros dois rapazes: David Willian Villero Silva, 18 anos, e Igor King, de 20 anos. Os três já haviam estado na delegacia de São José dos Pinhais e se colocado à disposição do delegado Amadeu Trevisan como testemunhas. Os mandados de prisão contra os três foram expedidos ainda na quarta-feira.

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