“Meu pai era uma pessoa excelente. A prisão do assassino pode até aliviar um pouco, mas a vida do meu pai não vai voltar, não tem volta mais”, assim definiu Elizeu Daniel Junior, de 19 anos, filho de Elizeu Daniel Silva, motorista de aplicativo morto durante um assalto no último domingo, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O suspeito do crime, Douglas Guilherme de Almeida Silva, de 21 anos, foi preso nesta terça-feira (13).

O assassinato de Elizeu aconteceu enquanto ele trabalhava. O motorista foi rendido pelo bandido, mas, segundo uma testemunha, reagiu tentando se livrar do roubo e foi baleado. Instantes após a fuga do bandido o homem ferido foi socorrido por uma equipe do Siate.

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Elizeu foi encaminhado com vida ao Hospital Cajuru, em Curitiba, mas morreu no centro cirúrgico, pouco tempo depois do resgate. Segundo a polícia, Douglas já era uma pessoa conhecida, inclusive já tendo passagens pela própria Delegacia de São José dos Pinhais, onde foi preso de novo. “É conhecido no meio policial, já esteve preso nesta delegacia, por um roubo”, contou o delegado Michel Teixeira.

Desabafo forte

Elizeu tirava da profissão de motorista de aplicativo o sustento para as despesas da família. Essa tinha sido uma saída encontrada por ele para ajudar a manter em ordem as contas. “E ele me ajudava diretamente com as despesas da faculdade, com ônibus, material, além de ajudar em casa”, contou o filho, que leva o mesmo nome do pai, Elizeu Junior.

A morte de Elizeu destruiu a família que ele conquistou e fez com que desmoronassem os sonhos do filho do motorista. No primeiro ano de medicina, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Elizeu Daniel Junior diz que pensa em desistir do curso. “Sem meu pai vai ser bem difícil, já passou pela cabeça de desistir da faculdade e começar a trabalhar, pois o curso tem uma carga horária que não permite ter emprego e preciso ajudar minha mãe”, contou o rapaz.

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Em meio às lágrimas, porém, Elizeu Junior disse que não quer largar o curso, principalmente por saber que seu pai era seu maior incentivador. “Vai fazer muita falta. Quando eu voltava da faculdade, sempre contava para ele do meu dia, contava as coisas que eu estava fazendo, as novidades, ele era o primeiro a saber”.

Alivia, mas não traz de volta

A prisão de Douglas, para o filho da vítima, alivia somente por saber que o assassino de seu pai está preso, mas isso não significa quase nada. “Não vai trazer meu pai de volta. E eu só queria saber o porquê de ele ter feito isso, era um pai de família. E se fosse o pai dele nessa situação ou alguém da família dele? Não era necessário”.

Preso confessou: foi um tiro!

Foto: Divulgação/Polícia Civil.
Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Conforme os policiais, ao ser preso, no bairro Cajuru, nesta terça-feira, Douglas não deu muitas informações sobre o crime. “Mas o mais importante é que ele confessou o assassinato. Falou claramente que atirou uma vez contra Elizeu”.

Aos policiais, Douglas teria alegado que não queria roubar. “Mas todos os elementos que conseguimos direcionam ao assalto. Ele planejou, pediu que um amigo chamasse o motorista até o bairro Cajuru, em Curitiba, depois veio até um local afastado de São José dos Pinhais, que ele conhecia e ficava perto da casa da namorada dele, para que pudesse roubar o motorista. Segundo ele, teve uma reação da vítima, a gente não tem essa confirmação, mas ainda vamos apurar, só que o fato é que ele disparou uma vez contra a boca de Elizeu”.

Segundo a polícia, até o fato de ter chamado o motorista perto de casa é uma situação que leva a constatar que o objetivo era um assalto. “Ele chamou o carro a cerca de duas quadras de casa. Pediu para parar 14 quadras antes da casa da namorada, isso demonstra que ele parou onde conhecia, mas não chegou ao local que queria ficar, o que deixa claro que ele tinha algum objetivo de mascarar o crime”. A polícia descobriu que Douglas tinha uma divida com traficante. “Ele deve uma quantia significativa para um traficante do bairro Cajuru e planejava usar o carro roubado para pagar a dívida”, completou o delegado.

Com Douglas, os policiais apreenderam uma arma, que pode ter sido a usada no crime. “Vamos fazer um confronto balístico dessa arma com o projétil encontrado no corpo da vítima. Após isso, vamos aguardar o resultado para autuá-lo também pelo crime latrocínio (roubo com morte), mas já temos confirmado a confissão deste suspeito e outros elementos, inclusive testemunhas, a corrida e a localidade, que direcionam a ele a autoria”. Se condenado, o rapaz poderá pegar até 30 anos de reclusão.

O carro de Elizeu foi encontrado logo depois pela polícia. “Como o carro ficou suspeito e a polícia estava atrás, ele abandonou no Cajuru, perto de onde morava. O veículo foi encontrado e entregue à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, de Curitiba”.

Foto: Divulgação/Polícia Civil.
Foto: Divulgação/Polícia Civil.

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