A Polícia Civil de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), já está investigando o suposto confronto que acabou na morte de Júlio César Cordeiro, de 38 anos, na noite do último sábado (9). O delegado informou à Tribuna do Paraná que o inquérito deve ser finalizado o mais rápido possível para que as dúvidas todas sejam esclarecidas.

A família de Júlio fez um protesto, no começo da tarde desta segunda-feira (11), cobrando que alguma atitude das forças de segurança fossem tomadas. Segundo os parentes, o homem, que trabalhava com inspeção de qualidade de produtos, nunca teve envolvimento com crimes e não estaria ligado ao confronto que a Guarda Municipal da cidade disse ter acontecido.

No dia do crime, o homem tinha saído de casa para pescar, como fazia quase sempre e todos da família já estavam acostumados. Como ele não apareceu no horário que sempre voltava, os parentes começaram a buscar informações e acabaram descobrindo que Júlio estava morto.

Versão da GM

O que foi contado pela Guarda Municipal da cidade é que os GMs patrulhavam quando viram dois homens saindo de um matagal próximo às cavas do Jardim Tropical. Os guardas deram voz de abordagem, mas a dupla reagiu com disparos, segundo o boletim de ocorrência.

No que teria sido uma troca de tiros, depois que um dos suspeitos teria atirado contra os guardas, um dos homens foi morto e o outro conseguiu fugir. Júlio, conforme a GM, estava com uma arma de brinquedo, que teria sido entregue à Polícia Civil.

Aliança de Julio desapareceu junto com a mochila. Foto: Colaboração.
Aliança de Julio desapareceu junto com a mochila. Foto: Colaboração.

Desespero da família

Os familiares do homem contestam totalmente a versão da GM e alegam que Júlio não tinha envolvimento com crimes e também não teria nenhuma arma em casa, muito menos de brinquedo. Ainda de acordo com os parentes, o homem teria saído de casa sozinho (ele tinha o costume de pescar com o cunhado, que neste dia não pode acompanhá-lo), apenas com uma mochila levando o que usaria para pescar, mas essa mochila não foi encontrada e sumiu junto com a aliança que usava.

No protesto desta segunda-feira, a família só pedia que a Justiça fosse feita e que a denúncia que fizeram, de que na verdade não foi um confronto e sim uma execução, fosse comprovada. Os familiares não descartam, ainda, a possibilidade de que Júlio tenha sido confundido pelos GMs. Casado e funcionário de uma fábrica há mais de 15 anos, Júlio deixou dois filhos.

Investigações seguem

Conforme o delegado Messias Antônio da Rosa, os dois guardas municipais ainda devem ser ouvidos, bem como também os familiares de Júlio. “Acreditamos que ainda nessa semana finalizamos essa parte do inquérito. Além disso, também aguardamos outros procedimentos, como alguns exames feitos pelo Instituto Médico-Legal (IML) e outros pelo Instituto de Criminalística”, considerou.

O delegado disse que pediu a análise das armas dos guardas e busca confirmar o que foi colocado no boletim de ocorrência. “Por enquanto, não temos nada comprovado. Só vamos saber o que aconteceu de verdade no final das investigações, ou seja, o inquérito vai concluir o que aconteceu e isso não necessariamente pode ser o que consta no boletim, mas sim pelas provas que vão ser coletadas”, explicou.

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Antecedente criminal

Confirmando o que a família disse, Júlio não tinha nenhum antecedente criminal, conforme o apurado pelo delegado. “Não encontramos nenhum registro. Pelo menos nada até o dia dos fatos”.

O prazo para a conclusão das investigações é de 30 dias, mas o delegado disse que pretende finalizar este trabalho o quanto antes conseguir. “Vamos atuar o mais rápido possível e talvez em menos tempo vamos concluir, claro que respeitando os limites de tempo mínimo que temos pelo IML e pela Criminalística também”.