A Polícia Militar afirma que Deyvid Luigi Fronza, 18 anos, reagiu a uma abordagem e por isto foi morto em confronto com policiais, no fim da tarde de sábado (10), no Pilarzinho, em Curitiba. Também diz que o jovem é suspeito de um assalto e por isto o abordou. Já a família do estudante morto afirma que o jovem não é criminoso, que não reagiu a abordagem e que o menino não se envolveu em crime nenhum, pois jogava bola com os amigos momentos antes do confronto acontecer. Diante do questionamento, a família diz que vai entrar com medidas legais cabíveis para provar que o jovem era inocente e que a polícia confundiu Deyvid com o real bandido.

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Francielli Maia é prima de Deyvid e diz que a família conseguiu imagens de câmeras de segurança da casa de um vizinho, que provam que a polícia se confundiu em relação ao suspeito. As imagens são da rua onde o Gol usado pelos marginais no assalto foi abandonado. “Se você ver as imagens, um dos assaltantes sai do carro virando a jaqueta que ele usava para o lado avesso, pra confundir a polícia. Ele usava uma jaqueta vermelha e quando vira do avesso ela é preta. Meu primo foi confundido porque por azar,  estava nas proximidades e usava uma jaqueta vermelha. Outra coisa que mostra que a polícia se confundiu é que o homem nas imagens das câmeras usa barba. Meu primo nem barba tem”, analisa Francielli.

Veja as imagens do suposto assaltante, conseguidas pela família de Deyvid:

16 furos na jaqueta

A família guarda a jaqueta usada por Deyvid em uma sacola plástica. A vestimenta tem pelo menos 16 furos provocados pelos disparos e ainda há resquícios de munição presos no tecido. Familiares disseram durante o sepultamento do rapaz, na tarde de ontem, que devem procurar o Ministério Público para que a ação dos policiais seja investigada. “Não vamos trazer ele de volta, mas ele era inocente e a memória dele não pode ficar manchada desse jeito, como se ele fosse um bandido que morreu porque merecia”, disse a prima.

O confronto

Conforme a PM, quatro homens assaltaram um estabelecimento comercial no bairro Jardim Primavera, em Almirante Tamandaré, no fim da tarde de sábado. Neste local estava um policial militar, que foi rendido, teve sua arma levada pelos marginais e por pouco não foi morto por um dos assaltantes, quando já estava deitado no chão. O assaltante chegou a apontar a arma para a cabeça dele, mas desistiu do crime e fugiu com o bando, levando R$ 3.970 do comércio.

a família diz que vai entrar com medidas legais cabíveis para provar que o jovem era inocente e que a polícia confundiu Deyvid com o real bandido. Foto: Colaboração/ Vagner Ribeiro.
a família diz que vai entrar com medidas legais cabíveis para provar que o jovem era inocente e que a polícia confundiu Deyvid com o real bandido. Foto: Colaboração/ Vagner Ribeiro.

Próximo ao Parque Tanguá, em Curitiba, os assaltantes abandonaram o Gol usado no assalto. E são as imagens deste momento que Francielli e outros familiares conseguiram, mostrando que os policiais se confundiram. Conforme Francielli, Deyvid jogava bola com os amigos no fim da tarde. Ficou com sede e passou na casa de sua avó, ali perto, para pedir R$ 5 para comprar um refrigerante. Quando saía da casa da avó, na Rua Ernesto Kohl, Pilarzinho, viu os policiais armados vindo em sua direção. Os policiais invadiram o terreno da casa de uma vizinha, por onde o jovem estava passando para ir para casa.

Deyvid não seguia pela rua, mas por dentro dos terrenos. Na abordagem, para se proteger, afirma Francielli, Deyvid chegou a levantar as mãos e gritar que era inocente. Mas não adiantou. Ele morreu dentro do jardim e, segundo a prima, os tiros atingiram também a mão dele e chegaram a arrancar alguns dedos. “A mãe pediu para ele tomar cuidado porque a polícia estava por ali. Por isso ele foi por dentro dos terrenos”, explicou a prima.

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Quase toda a vizinhança acompanhava a movimentação da polícia pela região. À reportagem, outro membro da família disse que vizinhos chegaram a filmar ao helicóptero da polícia no céu, que parecia fazer rondas.

Segundo a polícia, o rapaz reagiu a tiros e foi morto no revide. Mas a família afirma enfaticamente que o estudante não estava armado. Também há revolta com o aparecimento de uma mochila com dinheiro ao lado do corpo do jovem, que, segundo a família, os policiais afirmam ter encontrado com o rapaz quando foi morto. “Ainda disseram que era o Deyvid que estava dirigindo o carro dos assaltantes. Ele nem carteira tem, não sabia dirigir”, diz a prima. O estudante foi sepultado às 15h de domingo no Cemitério São Marcos, no bairro Pilarzinho.

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Investigação

A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que, como é de praxe em qualquer confronto que envolva policiais militares e armas da corporação, um Inquérito Policial Militar (IPM) é aberto para averiguação. A PM também informou que todo e qualquer contraditório deve ser investigado e por isto a família de Deyvid deve procurar a Corregedoria da Polícia Militar para formalizar a denúncia contra os policiais e apresentar seus questionamentos e provas que tenham em relação à ocorrência. A PM garante que todas as informações apresentadas são investigadas pela Corregedoria.

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