Um homem frio e perigoso. Assim Célio Afonso Silva, de 42 anos, conhecido como “Coelho”, é definindo pelos policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil. Suspeito de homicídios, ele também estaria ligado ao ataque aos carros-fortes em Palmeira, nos Campos Gerais, no Paraná, no começo de fevereiro. Além dele, que seria o líder do grupo, outras cinco pessoas.

Procurado pelo Cope, Célio também era investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que até mesmo pediu ajuda da população para encontrá-lo. Segundo a polícia, o homem é o suspeito de matar dois homens e deixar uma mulher ferida, na noite de 3 de março, no Pilarzinho.

O crime teria acontecido porque Celio descobriu que os policiais do Cope estavam atrás dele. As equipes receberam uma denúncia de que o homem teria participado do ataque cinematográfico aos carros-fortes e chegaram a tentar encontrar o suspeito, mas ele não estava no endereço informado.

Célio foi preso no final da tarde desta segunda-feira (26), sozinho. Ele foi encontrado no bairro Pinheirinho, em Curitiba, enquanto seguia vinha de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde estava escondido, segundo as investigações.

Duplo homicídio

Depois de ter a casa alvo de buscas de policiais, Célio teria se irritado e, acreditando saber quem tinha o dedurado, foi atrás. O homem se armou com um fuzil – que pode ser até o mesmo que foi usado para render os vigilantes dos carros-fortes –, seguiu o carro das vítimas e sequer confirmou suas suspeitas: foi e matou o homem e disparou também em quem mais estava com ele.

Logo depois do assassinato, os policiais da DHPP conseguiram provas de que Célio foi o autor do crime. Segundo a polícia, ele era procurado pelos homicídios e também estava foragido pelo ataque aos carros-fortes, por um mandado de prisão de roubo.

Outros presos

Além de Célio, que era o mais procurado, o Cope prendeu outros cinco envolvidos na quadrilha que seria comandada por ele. As prisões aconteceram entre à tarde de sexta-feira (23) e a madrugada de sábado (24) e os detidos, conforme a polícia, estariam ligados ao tráfico de drogas. Com o grupo, os policiais apreenderam crack, maconha, cocaína, comprimidos de ecstasy, duas armas, um colete balístico e também quase R$ 20 mil em dinheiro trocado.

Armamento pesado foi apreendido ao longo das investigações. Foto: Gerson Klaina.
Armamento pesado foi apreendido ao longo das investigações. Foto: Gerson Klaina.

Aos policiais, pelo menos dois destes homens assumiram que foram os responsáveis por abrirem o túmulo, no Cemitério do Boqueirão, onde foi sepultado o corpo de uma das vítimas do crime do Pilarzinho. “A intenção era pendurar o corpo numa ponte do Pilarzinho, para intimidar um grupo rival, mas não conseguiram e atearam fogo ali mesmo, no terreno do cemitério”, disse o delegado Rodrigo Brown, explicando que a intenção do grupo era somente a de mostrar poder.

Armamento pesado

Ao longo de todo o trabalho de investigação do Cope, que durou alguns meses, os policiais apreenderam forte armamento. Pelo menos sete fuzis foram encontrados e recolhidos, até um calibre ponto 50, que consegue abrir até a estrutura de um carro blindado.

Entre as armas aprendidas, está um fuzil AK-47, semelhante a que foi usada no duplo homicídio do Pilarzinho. “Apesar disso, não foi a usada no crime. Ainda procuramos por esse armamento, pois Célio foi encontrado desarmado”. As investigações continuam para tentar localizar mais envolvidos na quadrilha e também descobrir outros crimes cometidos por Célio.

Histórico complicado

Célio era o mais procurado. Foto: Polícia Civil.
Célio é considerado o homem mais perigoso da quadrilha. Foto: Polícia Civil.

As investigações do Cope apuraram que Célio, o líder do grupo, tem condenações que chegam aos 34 anos de prisão. “Ele responde a mais de 30 processos por tráfico de drogas, homicídio, roubo, organização criminosa, porte de arma de fogo e por aí vai. Muitos crimes, tanto que a gente ainda nem tem conhecimento de tudo o que ele cometeu, por ter uma ficha bem longa”, comentou Rodrigo Brown.

Além de ter envolvimento no ataque aos carros-fortes em Palmeira, a polícia informou que Célio também foi reconhecido como um dos integrantes de um assalto em Balsa Nova, quando a família de um gerente de banco foi sequestrada, e também outro assalto a banco, em Ortigueira, tudo em 2017.

Desde 2007, Célio já foi preso quatro vezes, a última delas pelos policiais do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), quando sequestrou um gerente de banco em Matinhos, no litoral do Paraná. Em 2014 Célio chegou a ser condenado a 12 anos e 2 meses de prisão por assaltos a bancos. “Chegou a ficar preso por um tempo, mas foi resgatado, em janeiro do ano passado, quando bandidos explodiram o muro da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP)”. Ele estava ferido no braço, quando foi baleado durante uma ação recente, novamente a ataque a banco, em Pitanga, no Centro-Sul do Estado.

Morre vereador que estava internado após ser baleado em tentativa de assalto a carros-fortes