A fuga orquestrada de 26 presos de um presídio de Piraquara neste domingo (15) mostrou o quanto é difícil controlar facções organizadas que agem dentro de penitenciárias lotadas. Ao que tudo indica, os presos de duas instituições diferentes conseguiram se comunicar e combinar um modo de driblar a segurança e as forças policiais da região.

Por volta das 3 horas da manhã, presos da Casa de Custódia de Piraquara começaram a dar sinais de rebelião. Assim que os agentes e a polícia dedicaram atenção ao tumulto, os internos da Penitenciária Estadual de Piraquara 1 (PEP1), que fica ao lado, explodiram um muro.

Mesmo se toda a força de segurança da PEP 1 estivesse dedicada a combater a fuga, os presos estariam em imensa vantagem numérica. São cerca de 600 internos, que no momento tinham ajuda do grupo que armou a explosão – 15 homens com armamento pesado – foram encontrados três fuzis e uma submetralhadora Uzi.

Segurança frágil

Para tentar controlar a fuga a PEP contava com 10 agentes penitenciários e dois policiais militares na guarita – o Setor de Operações Especiais, da PM, tinha ido à Casa de Custódia, a 300 metros de distância, o que deu alguma vantagem de tempo para os presos.

A Secretaria de Segurança Pública disse que se tratou de uma ação “orquestrada”. Para o diretor jurídico do sindicato de agentes penitenciários, Ricardo de Carvalho Miranda, fica evidente a facilidade de comunicação dos presos. “Por esses dias, arremessaram 60 celulares para dentro da PEP 1. Conseguimos evitar que chegassem aos presos. Mas como saber quantas vezes isso já não aconteceu antes?”, diz.

Os presos aparentemente também sabiam que naquele momento a segurança era mais frágil. A escala de agentes penitenciários é dividia em três turmas de 30 pessoas. No entanto, nem todos os agentes têm turnos iguais: quem faz 24 horas num turno, faz 12 horas na próxima vez. E quando essa parte do turno vai embora, às vezes o contingente fica reduzido a menos da metade.

Uma resolução do Conselho Nacional de Política Criminal estabelece que deveria haver 5 presos para cada agente. No momento da fuga, havia 120 por 1. O governo alega que a obrigação é de ter essa proporção contando todos os agentes – somados todos os turnos mais os que estão de férias, por exemplo.

Uma resolução do Conselho Nacional de Política Criminal estabelece que deveria haver 5 presos para cada agente. No momento da fuga, havia 120 por 1. O governo alega que a obrigação é de ter essa proporção contando todos os agentes – somados todos os turnos mais os que estão de férias, por exemplo.

Janeiro caótico

Além dos dois mortos no Paraná, o fim de semana teve uma rebelião com pelo menos 27 mortes em Natal. Ninguém sabia a quantidade de presos assassinados no presídio de Alcaçuz, em Natal, porque os corpos ainda não foram resgatados.

*Por Angieli Maros, Rogerio Waldrigues Galindo e Angela Corrêa