Foi dentro de um shopping que uma idosa de Curitiba – que preferiu não ser identificada – comprou um celular roubado em um dos assaltos a lojas de eletrônicos que ocorreram na cidade no início do mês de abril. Segundo ela, ao levar seu antigo aparelho a uma loja do centro de compras e ouvir dos atendentes que não haveria conserto para ele, ela teria se interessado por um dos celulares à venda no local.

“Eu vi esse celular na loja, daí saí e vi um [em outra loja], mas eu queria aquele”, contou. Ela então voltou e efetuou a compra, pagando R$ 3,9 mil no aparelho de forma parcelada no cartão de crédito. Ao sair da loja, além do celular, levou apenas o comprovante do cartão de crédito. Conforme ela, por ter comprado o celular na caixa e ter em mãos o comprovante do cartão, nem se deu conta de que precisaria ter pedido uma nota fiscal do produto. A polícia não informou o nome do shopping ou da loja em que a compra foi feita.

A senhora foi uma das dezenas de pessoas conduzidas coercitivamente a depor durante a Operação Blackout, realizada pela Polícia Civil na última terça-feira (03) e que resultou na prisão de cinco suspeitos de planejar e executar os assaltos a hipermercados e lojas de shoppings. Ela foi encontrada a partir do número de série do aparelho e do CPF atrelado ao chip ativado para utilizar o aparelho. Nas palavras dela: “eu não descobri [que o celular era roubado], quem descobriu foi a polícia”.

De acordo com a polícia, havia entre os convocados a depor pessoas físicas e jurídicas, tanto que sabiam da origem dos aparelhos quanto que não sabiam, como a senhora. Oito delas tinha conhecimento de que os produtos eram roubados e foram encontradas com diversos tipos de aparelhos eletrônicos (celulares, tablets e computadores), autuadas e liberadas após pagamento de fiança. A maioria dos produtos pertencia a um único dono que possui um CNPJ e os revendia.

Nota fiscal

A situação da idosa serve como um alerta para quem pretende comprar um aparelho e mostra a importância de pedir a nota fiscal do produto. De acordo com o delegado responsável pela operação, Emmanuel David, da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), a nota é uma das principais formas de verificar que o produto não é roubado e, caso seja, que a pessoa agiu de boa-fé. “A nota fiscal vai mostrar que ela comprou em uma loja, então ela não vai ser indiciada [pelo crime de receptação] e vai poder ser ressarcida pela loja”, explica.

No caso da senhora, mesmo sem ter a nota, ela conseguiu comprovar que agiu de boa-fé apresentando os gastos com o cartão de crédito – que mostraram que ela pagou preço de mercado pelo aparelho, o que geralmente não acontecesse quando o comprador sabe que o celular é roubado.

O delegado reforçou a orientação para aqueles que buscam equipamentos eletrônicos em sites de compra pela internet, já que, assim como há aqueles revendem seus produtos usados, há quem use o meio para revender frutos de roubos. “Sempre tem que pedir a nota”, resumiu.

Além disso, a secretaria de segurança pública alerta que compradores devem ficar atentos ao comércio de aparelhos em locais “diferentes”, como na rua e em bares, e preços muito abaixo dos praticados no mercado.