Qual é o papel da imprensa numa situação policial crítica, em que vidas estão em risco? A mídia ajuda? Atrapalha? Até que ponto as equipes de reportagem conseguem dar fatos exclusivos e ao vivo, sem trazer transtornos a uma negociação entre policiais e criminosos? Ou então, até que ponto vale arriscar a vida em prol de uma entrevista ou imagem exclusiva? Foi com este objetivo que policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) reuniram profissionais de imprensa, no quartel geral da PM, para uma reflexão e capacitação.

O I Simpósio “Papel da Imprensa em Meio aos Eventos Críticos” reuniu pouco mais de 50 profissionais de imprensa, para mostrar formas corretas de atuar em situações com tomada de reféns, rebelião, manifestações, entre outros casos críticos.

“Vocês, jornalistas, têm a missão de informar. Nós, como PM, temos a função e missão de proteger. Então expusemos o que é o Bope, como agimos, para que a imprensa saiba como agir com segurança numa situação de crise, dar uma informação de qualidade e depois voltar em segurança para casa”, explicou o capitão Cleverson, comandante da equipe de negociação do Bope.

Foto: PM.
Foto: PM.

Alguns vídeos de reportagens foram mostrados para expor casos em que jornalistas foram expostos ao perigo. Uma delas mostra o cinegrafista da Band, Gelson Domingos da Silva, no momento em que ele foi baleado na favela de Antares, no Rio de Janeiro, em 2011. Gelson e o repórter acompanhavam uma incursão policial na favela, quando o cinegrafista foi baleado por um traficante.

Também mostrou o caso de um repórter que chegou a um local de crime antes da polícia e do Siate e acabou transmitindo ao vivo o assassino “terminar” de executar um rapaz. Exibiram ainda uma transmissão ao vivo de uma negociação com presos rebelados num presídio de Piraquara e o emblemático caso Eloá, em Santo André-SP, em 2008, em que dezenas de veículos de comunicação conversaram ao vivo com o sequestrador, Lindemberg Alves, enquanto ele mantinha a ex-namorada refém no apartamento dela. Foram cinco dias de sequestro, que terminou com Eloá morta e uma amiga dela baleada.

Terrorismo

Depois da explanação teórica do capitão Cleverson, no quartel da PM, os jornalistas foram levados à Arena da Baixada para uma simulação de terrorismo. Assim que os jornalistas chegavam, dentro de um micro-ônibus, duas bombas foram estouradas de um lado do coletivo. As bombas mal terminaram de explodir quando policiais, com armas em punho, já invadiam o veículo, em busca de um “terrorista” infiltrado no grupo.

“A simulação foi para mostrar o imprevisível. Veja, o ´terrorista´ estava desde cedo infiltrado entre vocês, no curso, e não levantou a suspeita de ninguém. Pra ver como é difícil para nós detectar certos tipos de situações. Por isso temos que estar preparados para tudo”, explicou o capitão Hoinatski, comandante do Comando de Operações Especiais (COE), do Bope.

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