Um jovem identificado como Rafael Albre, de 22 anos anos, foi baleado por um policial militar no Centro de Curitiba, pouco antes das 16h desta quinta-feira (03), durante uma abordagem mal sucedida. O disparo pegou no braço do jovem, que já estava com as mãos pra cima. Ele foi levado com ferimentos moderados, mas sem risco de morte, ao Hospital Cajuru.

Oséias, amigo de Rafael, contou que eles saíam do trabalho, num restaurante próximo, e seguiam para casa, numa pensão a uma quadra dali, quando os policiais passaram de viatura ao lado deles, na Rua Desembargador Westphalen, quase esquina com a Rua André de Barros, e deram voz de abordagem. Oseias conta que, quando eles já estavam levantando os braços à cabeça e virando de frente para a parede de um comércio, um disparo partiu de dentro da viatura (os policiais ainda não tinham desembarcado). Quando viu, seu amigo já gritava de dor e estava com o braço sangrando. O disparo atravessou o braço do jovem e richoceteou na parede.

Oséias foi mantido quase o tempo todo virado para a parede e não podia ver o que estava acontecendo com o amigo. Só foi liberado quando Rafael já estava sendo colocado dentro da ambulância do Siate. Nervoso com o que fizeram com Rafael, Oséias perdeu a calma e começou a falar alto com os policiais, que ameaçaram prendê-lo por desacato. “Se foi disparo acidental ou proposital eu não sei. Só sei que os policiais estavam mais nervosos do que nós, por causa do que fizeram”, disse Oséias.

Poderia ter sido pior

As funcionárias de um salão de beleza quase em frente onde ocorreu a abordagem presenciaram quase todo o fato. Pelo espelho do salão, uma cliente chegou a ver um policial com uma pistola na mão. Ela não tem certeza se foi o policial que disparou, mas todos no salão ficaram assustados, pois por questão de poucos metros, o tiro poderia ter atingido alguém dentro do estabelecimento, através da porta de vidro.

Uma das funcionárias, que prefere não se identificar, foi ver o que tinha acontecido lá fora, pois pensou que o barulho fosse uma bomba. Quando abriu a porta de vidro, já deu de cara com os policiais desembarcando da viatura e o jovem com o braço sangrando. Ela e vários transeuntes da calçada viram quando um dos policiais chegou na calçada, pegou o projétil caído da calçada, com a ponta dos dedos, e jogou num “porta-trecos” na porta da viatura.

Quando a Tribuna chegou ao local, havia várias viaturas da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), do 12.º Batalhão da PM no local. Nervosos, os policiais não conversaram com a imprensa e, assim que o Siate deixou o local, todas as viaturas rapidamente foram embora.

Explicações

Por meio de uma nota, a Polícia Militar destacou o seu posicionamento sobre o caso. Confira abaixo:

Em relação ao lamentável caso de ferimento de um jovem em decorrência de disparo de arma de fogo havido durante abordagem policial, na Rua Desembargador Westphalen, no centro de Curitiba, o 12º Batalhão da PMPR informa que todas as providências legais e regulamentares com vistas ao pleno esclarecimento dos fatos, com imparcialidade e na busca da verdade, já foram adotadas, após o rapaz ter sido prontamente atendido pela equipe Policial Militar e pelo SIATE, sendo encaminhado ao Hospital Evangélico para atendimento.
O Batalhão informa ainda que já foi determinada a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos e circunstâncias de envolveram os fatos, registrando-se que o Policial Militar responsável pela arma argumenta que não tinha a intenção de efetuar o disparo e que tal tiro ocorreu de modo acidental, salientando-se que a arma já foi apreendida e está sendo encaminhada à perícia junto ao Instituto de Criminalística para uma apuração plena, absolutamente isenta e pautada por provas periciais.

O Comando da PM destaca que só se admite a componente do uso de arma de fogo em condicionantes absolutamente protocolares e doutrinárias, quando justifica-se o uso da força para a legítima defesa do Militar ou de terceiros. Além disso, a corporação lembra que o disparo acidental não é querido por nenhuma das partes (nem PM e nem população) e que a Polícia Militar vai apurar, não só o esclarecimento perante esses fatos, mas também as circunstâncias que envolvam o aperfeiçoamento de protocolos para evitar situações futuras.