O promotor João Milton Salles, da Promotoria Criminal de São José dos Pinhais, protocolou nesta terça-feira (27) à denúncia contra sete envolvidos na morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, ocorrida há exatos um mês. A novidade é que, ao invés de Eduardo Purkote, quem foi denunciado no lugar dele foi Evellyn Brisola, de 19 anos.

Ela foi denunciada por denunciação caluniosa pois, no entender do promotor, ela deu um falso testemunho à polícia, de má fé, para tentar incluir Purkote na cena do crime. O jovem chegou a ser preso por causa disto. Porém, a história foi desmentida pelas investigações, que verificaram que ele não participou ativamente do crime. Purkote foi considerado apenas uma testemunha pela acusação.

Salles não entrou no mérito do porquê Evellyn agiu desta forma, se foi coagida, ou se sofreu alguma ameaça. “Ela teve todo o transcorrer do inquérito para se manifestar. Se ela recebeu alguma ameaça, ela terá que ir atrás disso agora”, analisou o promotor, que também não pretende pedir a prisão da jovem por entender que a liberdade dela não traz nenhum risco à instrução processual.

Todos os sete envolvidos foram denunciados por fraude processual pois, de alguma forma, tentaram apagar provas do crime ou coagir testemunhas para que declarassem uma versão que minimizasse a participação dos envolvidos no crime. Pelo assassinato, em si, foram denunciados o empresário Edison Brittes Júnior, David Willian da Silva, Ygor king e Eduardo da Silva. Eles respondem por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. As três qualificadoras do homicídio foram crime praticado por motivo torpe, utilizando-se meio cruel e que impossibilitou a defesa da vítima.

Daniel, explicou o promotor, é atleta é mesmo um pouco bêbado, como estava, teria condições de se defender se tivesse que brigar com Edison. No entanto, a forma como ele foi agredido foi tão cruel que impossibilitou que se defendesse. Os laudos periciais mostraram, inclusive, os vários tipos de agressões que Daniel sofreu, por mais de uma pessoa.

Outra novidade, transcorrido depois da finalização do inquérito, é que Cristiana Rodrigues Brittes, esposa de Edison, também vai responder por homicídio qualificado, por motivo torpe, além da coação de testemunhas e fraude processual, como já aventado. Cristiana mereceu uma explanação detalhada do promotor, durante a coletiva de imprensa que Salles deu na tarde desta terça. Segundo ele, quando iniciou-se o espancamento, ela aderiu ao comportamento de Edison e dos outros rapazes, não fazendo nada para cessar as agressões e ainda determinando que eles terminassem aquilo fora da casa.

Allana Brittes, a filha do casal, foi denunciada por fraude processual e coação de testemunhas. Mais uma novidade desta denúncia também é que todos os sete denunciados vão responder por corrupção de menores, visto que persuadiram adolescentes que estavam na casa a calar-se ou a ajudarem na limpeza da casa.

Puxão de orelha

O promotor ainda falou sobre o comportamento de Edison e Cristiana como pais, dando um enorme puxão de orelha neles em permitir que a festa de aniversário da filha chegasse ao ponto que chegou, para que culminasse com um homicídio.

Na visão de Salles, os pais permitiram que a festa se estendesse da boate à casa, com jovens num ambiente festivo, regado à bebidas, após o amanhecer do dia. Cristiana, como mãe, foi dormir e não acompanhou de perto, com a responsabilidade que deveria, uma festa de jovens e adolescentes em sua casa, que com a excitação promovida por toda a festa, terminou com a brincadeira de Daniel.

Ele deitar-se na cama com Cristiana, mesmo sem a intenção de estupro (como entendeu o promotor), criou um gatilho para que Edison se alterasse e decidisse cometer o crime. “Mas o motivo do crime não foi a atitude do jogador. Isso foi só um gatilho. O motivo foi um senso de justiçamento de Edison, de querer se vingar de Daniel por ele ter se deitado na cama com sua esposa dormindo” , analisou Salles.

Mas ela provocou

Outra tese rechaçada pelo promotor foi o que muitas pessoas disseram que Cristiana “provocou” a vontade em Daniel de tentar sexo com ela, por conta da forma como ela se expôs durante a noite toda. “Acho engraçado essa tentativa de ligar o crime ao comportamento dela, a tentativa de criar um fato para se defender. Bem como também acho um absurdo querer imputar ao Daniel a pinta de estuprador, criar um fato para justificar uma atitude. Temos que respeitar a memória de um jovem que foi brutalmente morto, que não teve chance de defesa”, analisou Salles.

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