A insegurança no Tarumã, em Curitiba, motiva vizinhos a organizarem a primeira Caminhada da Paz no bairro. O evento começa às 13h30, na Praça Cova da Iria, em frente ao Santuário Nossa Senhora de Fátima, em direção ao antigo estádio do Pinheirão. O grupo levará bexigas brancas simbolizando a paz. De acordo com a Patrícia Sass, presidente do Conselho de Segurança do Tarumã (Conseg), a ideia é aproximar o maior número de moradores para que eles se ajudem a enfrentar os problemas de segurança pública na região.

A violência tem crescido no Tarumã nos últimos meses, principalmente nas proximidades da Avenida Victor Ferreira do Amaral, perto do viaduto da Praça das Nações, próximo à caixa d’água da Sanepar. “Comerciantes do bairro também estão nos apoiando porque eles também têm sido vítimas da falta de segurança”, afirma Patrícia. Em março deste ano, clientes do Restaurante Peixinho, localizado próximo ao Hospital das Nações, viveram momentos de tensão. Perto da hora do almoço, dois homens armados invadiram o local dando voz de assalto. O objetivo dos criminosos era roubar o caixa do restaurante, mas eles não pararam por aí. Um casal de clientes também foi vítima da ação e teve o carro roubado. Na mesma região, passageiros foram assaltados nos pontos de ônibus perto do restaurante, na mesma avenida. A poucas quadras dali, uma farmácia é alvo constante dos criminosos.

“As pessoas que estacionam carros perto da região do hospital sofrem. Os ladrões sabem que os donos demoram para voltar e se aproveitam dessa situação para levar o carro. Quando a pessoa vê, já foi”, conta a artista plástica Wilma Vanessa Wambier, 60 anos, moradora do Tarumã há quatro décadas. A vizinha afirma que essa e outras situações de violência se repetem constantemente no bairro. “Invasão das casas. Assalto no ponto de ônibus para levar o celular. Teve uma situação mais grave de roubo de carro em que até um helicóptero da Polícia Militar foi usado para perseguir os ladrões. Eles tinham uma arma e levaram o carro que uma senhora estava estacionando”, revela.

A vizinhança também reclama de um terreno nos fundos do Extra Hipermercados, na Rua Presidente Beaurepaire Rohan. Ali tem um bosque sob a responsabilidade de manutenção do supermercado, mas, segundo a vizinhança, há falta de iluminação, manutenção nas grades, uma guarita abandonada e não existe vigilância no espaço, o que favorece a invasão de pessoas não autorizadas. Relatos de vizinhos ao Conseg dão conta de que pessoas suspeitas de praticar delitos usam o bosque como refúgio. “O que nos chega de informação é que há movimentação de pessoas suspeitas no bosque, que não deveriam estar ali porque é uma propriedade particular”, conta Patrícia.

Procurado, por meio de nota, o Extra explicou que o terreno mencionado é de responsabilidade da loja e trata-se de um bosque de mata nativa, protegido por leis ambientais. A legislação ambiental não permite intervenções na área interna do terreno e, por isso, a unidade está realizando uma análise para identificar as possíveis ações de manutenção que podem ser realizadas externamente. Já está em andamento um orçamento para a realização da manutenção das grades que cercam o bosque. Além disso, a loja mantém um canal aberto de comunicação coma  vizinhança e realiza, a cada três meses, um conselho de clientes para discutir melhorias para a região.

Conseg

Foi um roubo a residência, aliás, que motivou Patrícia Sass, 48 anos, a assumir a presidência do Conseg. A casa dela foi invadida há um ano e meio. Quando os vizinhos souberam, começaram a trocar informações sobre outros roubos parecidos e ela resolveu reativar o conselho. “Estava desativado há mais de três anos. Foi quando resolvemos recomeçar e reunir a vizinhança. Ficamos atentos pelos grupos de Whatsapp, reforçamos a instalação de sirenes de alerta entre vizinhos e estamos sempre promovendo reuniões com algum palestrante que fale do tema segurança”, conta a presidente, que mora há 20 anos no bairro.

Segundo o Conseg, as sirenes e grupos vizinhos foram criados em dezembro de 2016, mas contavam com moradores, se limitando a ruas específicas. Agora, há um grupo com 130 participantes. “É importante que todos participem e colaborem colaborem com informações”, diz Patrícia. “Nos grupos e nas reuniões também orientamos a importância de registrar Boletim de Ocorrência (BO)”, alerta a presidente.

Segundo ela, em uma reunião recente entre os presidentes de Consegs de bairros, o Tarumã foi apontado como sendo um bairro crítico na área da segurança pública em Curitiba, porque possui muitas rotas de saída e é vizinho de outros bairros visados pela criminalidade, como Jardim Social, Alto da XV e Hugo Langue.

O que dizem os órgãos oficiais

A Polícia Militar afirmou que tem realizado policiamento no bairro Tarumã diariamente, por meio do 20o. Batalhão, com várias modalidades de policiamento, como radiopatrulha e Rotams. Além disso, a PM diz que na região está situado o Regimento de Polícia Montada – cavalaria da Polícia Militar -, que além de policiar a região, cada vez que desloca uma equipe para outro bairro circula nas imediações, o que traz a presença da PM.

A PM dia ainda que se os comerciantes ou moradores da região já possuírem características de suspeitos ou informações como placas de veículos, tipo de vestimenta, cabelos e horários devem repassar à Polícia Civil, que é responsável pela investigação e identificação de suspeitos, para que as medidas pertinentes à investigação sejam tomadas.

Procurada no dia 18 de junho – 11 dias antes do fechamento da matéria – para apresentar números sobre ocorrências no Tarumã, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp-PR) não respondeu até a publicação da reportagem.

Serviço – Caminhada pela Paz

Organização: Conseg do Tarumã em parceria com a Associação de Moradores do Bairro Tarumã

Data: 30/06

Horário: 13h30

Local de encontro: Praça Cova de Iria – em frente ao Santuário Nossa Senhora de Fátima -, saindo em direção ao entorno do antigo estádio do Pinheirão.

Atividades: Além da caminhada, estão programadas atividades esportivas, culturais e sociais, atividades para crianças, venda de comidas típicas e presença do ônibus da cultura.

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