O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público do Paraná (MP-PR) que também apura crimes envolvendo policiais, vai investigar as circunstâncias da morte de um homem de 35 anos pela Polícia Militar (PM) na madrugada de sábado (11) para domingo (12) em um dos mais agitados pontos da vida noturna de Curitiba, a Praça da Espanha, no Batel.

O advogado Paulo Cristo, que representa a família da vítima, trata o caso como uma “execução”. Segundo ele, foram disparados 16 tiros contra o carro de Andrei Francisquini – que morreu atingido por três deles. A PM alega que atirou para conter o rapaz em fuga.

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“Para nós, foi uma execução. Dezesseis tiros em uma pessoa que sequer deu um tiro”, questionou Cristo nesta segunda-feira (13). A declaração vai na contramão das explicações dadas até agora pela PM, que afirmou que Francisquini fugiu depois de ser flagrado por uma equipe da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) manuseando uma arma dentro do carro.

Na versão da PM, a fuga começou na Rua Vicente Machado e só terminou na Praça da Espanha, onde o veículo foi cercado e os tiros, disparados. Ainda conforme a corporação, os policiais atiraram porque Francisquini teria tentado atingir um dos policiais com o carro e agido como se fosse disparar contra a equipe.

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O advogado da família nega que o homem estivesse portando uma arma e disse que aguarda imagens de câmeras de segurança da região para saber se realmente houve fuga. A defesa também alega que a PM não seguiu os procedimentos legais após atestar a morte da vítima: além de não comunicar o óbito às autoridades responsáveis, teria removido o veículo conduzido por Francisquini para o pátio de uma unidade do 12.º Batalhão da PM, comprometendo a cena do crime.  “Em primeiro lugar, se não houver nenhuma determinação legal, eles têm que chamar a delegacia competente ou a delegacia da região. Só que não foi acionada nenhuma das duas”, afirmou o advogado.

De acordo com o advogado, o registro da morte do jovem só foi oficializado à Polícia Civil por volta das 17h horas deste domingo – cerca de 16 horas após a morte. “Isso não chegou nem para o 8º distrito, onde funciona o plantão do fim de semana. E deveria, porque estávamos tratando ali de uma morte. Houve um homicídio. Se houve ou não houve um confronto a delegacia é que vai dizer”.

Outro questionamento diz respeito ao fato de a Polícia Militar ter removido o carro para um pátio da corporação antes de a Polícia Civil ter sido acionada. Na prática, garante o advogado, a cena do crime foi modificada e pode prejudicar o resultado dos laudos periciais. “Agora, as provas já não são mais aquelas que deveriam aparecer”, ressalta Cristo.

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Sem arma

Embora a Polícia Militar tenha afirmado que a vítima manuseava uma arma, a família diz que Francisquini não estava com um revólver dentro do carro e que o equipamento pode ter sido plantado junto ao corpo do jovem.

“É difícil acreditar que meu menino sacasse uma pistola e reagisse contra vários policiais”, declarou o pai do rapaz, Benedito Francisquini, em entrevista à Tribuna do Paraná nesta segunda. Em nota publicada no jornal em que trabalha, em Santo Antônio da Platina, no Norte do Paraná, o pai reiterou que o filho não tinha arma de fogo e que era contrário à qualquer forma de violência.

Em uma nova nota enviada no começo da noite desta segunda, a Polícia Militar do Paraná reafirmou que “todos os protocolos previstos para este tipo de ocorrência foram seguidos, inclusive foi feito o acionamento dos órgãos competentes, que devem comparecer ao local”. Conforme o esclarecimento, o veículo foi recolhido ao pátio do 12º Batalhão “por ser instrumento de investigação do Inquérito Policial Militar (IPM), que foi instaurado – para os procedimentos de Polícia Judiciária Militar”. A PM também defendeu que todos os registros necessários foram feitos e que todos os órgãos foram informados”.

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Procurada para dar mais detalhes da investigação e sobre a possível interferência na cena do crime, a Polícia Civil também não se manifestou. Em nota, o órgão comunicou apenas que “está analisando o ocorrido” e que “caso seja verificado que a competência não é exclusiva da Justiça Militar, a PCPR irá instaurar inquérito policial”.

Apesar de ter confirmado a abertura de uma investigação sobre o caso, o Gaeco também não deu mais detalhes sobre o trabalho.

Leia a nota da PM na íntegra

A PM esclarece que todos os protocolos previstos para este tipo de ocorrência foram seguidos, inclusive foi feito o acionamento dos órgãos competentes, que devem comparecer ao local. O veículo foi recolhido ao pátio do 12º Batalhão da PM por ser instrumento de investigação do Inquérito Policial Militar (IPM), que foi instaurado – para os procedimentos de Polícia Judiciária Militar. Todos os registros foram feitos, os órgãos informados, e tanto o Boletim de Ocorrência registrado às 03h37 de 12/05/19 quanto o veículo estão à disposição da Polícia Civil. Outras questões serão apuradas no decorrer do IPM.

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