Os vizinhos de uma chácara na localidade de Taquaral Queimado, bairro Contenda, em São José dos Pinhais suspeitavam que alguma coisa errada acontecia lá dentro. Mas não imaginavam que lá tinha uma sofisticada estufa de maconha, onde era empregada alta tecnologia para o cultivo. O resultado de tanto cuidado era uma droga potencializada, mais forte e pura, que poderia ser vendida a até R$ 21 mil o quilo. Foram apreendidos 620 pés de maconha, além de várias sementes, insumos e um revólver calibre 32. Três pessoas foram presas na chácara.

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O diretor da Guarda Municipal de São José dos Pinhais, Marcio Pereira, explicou que há algumas semanas começaram a receber denúncias da vizinhança, que via pessoas e carros estranhos circulando pela região, barulhos de tiros, lonas pretas nas janelas da casa e da churrasqueira e até um carregamento enorme de vasos chegando, o que despertou mais desconfiança ainda, já que os novos vizinhos – que haviam alugado a chácara há dois meses – não pareciam ser muito chegados em flores ou agricultura.

Na manhã desta quinta-feira (15), guardas municipais conseguiram abordar três “moradores” da chácara, que fica na Rua João Ramos. No local havia quatro “laboratórios/estufas” para cultivo e manufatura de maconha, onde era empregada alta tecnologia. No primeiro laboratório, o “berçário”, as sementes de maconha eram germinadas e depois plantadas em vasos, até que as mudas adquirissem um certo tamanho.

Fases

Na parede do “berçário”, junto a uma mesa cheia de produtos químicos, ficava um relatório, feito semana a semana, de quais produtos e em qual quantidade eram colocados nas plantas. Até a acidez da terra era controlada. Tudo muito organizado, com grupos de plantas numeradas, identificando o tratamento que cada uma delas recebia. Tão completo quanto um prontuário de paciente na UTI.

Quando as mudas atingiam determinado tamanho, eram transferidas para outra estufa, na churrasqueira, até adquirirem o tamanho ideal para corte. Depois disto, as plantas iam para outra sala, onde era feita a secagem.

Alta tecnologia

Cada uma das estufas era equipada com ar condicionado, para controle da temperatura ideal (que era diferente para cada fase de crescimento da planta), controle de umidade, lâmpadas agrícolas (para controle da luminosidade, o que fazia a planta ficar em fotossíntese 18 horas por dia e acelerar seu crescimento), entre outros detalhes para dar toda qualidade ao crescimento do produto.

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“Ela se tornava uma planta potencializada, com alto valor agregado. Por isso custa mais”, explica o delegado Michel Carvalho, da Delegacia de São José dos Pinhais. No local foram presas três pessoas, que deram à polícia os nomes de Hamilton Piveta, 41 anos, Orlando Luiz Pires Júnior, 48 anos, e Valmir da Cruz Dias, 53. Valmir, curiosamente, vestia uma camiseta com uma foto de Fidel Castro, rodeado de pés de maconha.

Erva “de playboy”

Conforme explicou Pereira, diretor da Guarda Municipal, a diferença entre a maconha “de pobre” e a “de playboy” é a parte da planta que é moída para ser feito o tijolo de maconha. A erva “de rico” vai só um galho que fica mais ao topo da planta, com folhas todas “emboladas”, onde estão as sementes, retiradas para cultivo de novas plantas e talvez até para venda, já que a polícia encontrou várias delas encapsuladas em pinos de plástico na estufa “berçário”.

Já a erva “de pobre” vai com o restante dos galhos da planta, aquela com folhas pontudas, formato que comumente identifica a planta. (GU)

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