Foto: Aniele Nascimento.
Foto: Aniele Nascimento.

Depois de aproximadamente um ano de investigações, policiais da Delegacia de Estelionato (DE) descobriram um esquema de falsa venda de produtos importados que levou estrago de quase R$ 1 milhão. Quatro pessoas, suspeitas de integrar a quadrilha, foram presas. Segundo as investigações, as principais vítimas eram médicos e proprietários de clínicas radiológicas, mas o grupo pode ter levado prejuízo a outras pessoas também.

Além dos quatro mandados de prisão, outros sete de busca e apreensão também foram cumpridos. Em Curitiba, a ação policial foi feita nos bairros Portão, Água Verde, Novo Mundo, Fazendinha e Cajuru. Buscas também foram feitas na cidade de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

De acordo com a polícia, o grupo era liderado por C.C.S, 37 anos, que junto com a esposa, R.C.I, 29, vendia mercadorias importadas. “As vítimas faziam os pagamentos e eles diziam que estavam com problemas na alfândega, mas na verdade essas mercadorias simplesmente não existiam”, disse o delegado Wallace de Oliveira Brito.

Até agora a polícia identificou quatro vítimas: médicos e clínicas de Curitiba e de São Paulo. Com preço atraente, um pouco abaixo do mercado, mas com a garantia de que se tratava de mercadorias legalizadas, o grupo chamava atenção dos clientes. “Eles diziam que eram agentes importadores e ainda prometiam agilidade na entrega dos equipamentos e produtos negociados. As pessoas sequer duvidavam do que ouviam”.

Documentos e computador apreendidos vão ser periciados. Foto: Aniele Nascimento.
Documentos e computador apreendidos vão ser periciados. Foto: Aniele Nascimento.

Escola na fraude

C.C.S e R.C.I são donos de uma escola cristã particular, situada no bairro Água Verde. Conforme o delegado, os dois aproveitavam da boa influência e não levantavam suspeitas. “As nossas investigações apuraram ainda que o colégio era usado para lavagem de parte do dinheiro que os suspeitos conseguiram nas fraudes. A conta bancária do colégio era usada pelo grupo”, explicou Wallace de Oliveira Brito.

Conforme a DE, nenhuma das vítimas recebeu a mercadoria que comprou. Foram vendidas máquinas de imagem para exames clínicos, mas o delegado acredita ainda que o grupo agia com outros tipos de produtos importados como celulares, por exemplo. “É isso que vamos apurar agora, com a prisão de todos os envolvidos”.

O casal recebia ainda a ajuda de E.C.M. 36, e da esposa dele, F.H.N.C, 34. Os dois também foram presos e todos vão responder pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica, documental, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Carros de luxo, celulares, documentos e um computador foram apreendidos.

Carros de luxo foram apreendidos com a quadrilha. Foto: Aniele Nascimento.

Polícia espera que possíveis vítimas apareçam com a divulgação do golpe. Carro de luxo estava com a quadrilha.Foto: Aniele Nascimento.
Carros de luxo foram apreendidos na operação. Fotos: Aniele Nascimento.

 

 

Para a DE, além dos médicos e das clínicas, outras vítimas podem aparecer agora com a divulgação do caso. “De qualquer forma, fica o alerta de que as pessoas procurem um agente sério, procure saber se existe o produto e jamais faça um depósito adiantado, porque você pode cair num golpe”, alertou o delegado. Denúncias podem ser feitas diretamente à delegacia, pelo telefone (41) 3261-6600.

Problema comercial

O advogado Leonardo Buchmann, que representa C.C.S. disse ainda não ter os documentos de acusação e, por isso, ainda não poderia se posicionar sobre como vai atuar na defesa. Ele disse que seu cliente – que é um representante de comercio exterior – o procurou dizendo que teve problemas comerciais em negociações com os clientes. Os problemas, conforme o advogado, estariam relacionados ao âmbito civil e não criminal.

Veja a entrevista completa com o delegado:

Atualização

C.C.S. e E.C.M. foram processados criminalmente. R.C.I. e F.H.N.C. não foram denunciadas pelo Ministério Público. Após a ação penal, E.C.M. foi absolvido das acusações, enquanto C.C.S. foi condenado pela prática do crime de estelionato. A pena, contudo, não foi executada, em razão da prescrição da pretensão punitiva do Estado, de modo que a ação penal contra ele foi extinta.