Dois homens suspeitos de serem autores de uma chacina que matou duas pessoas e feriu outras oito, ocorrida em agosto de 2017, no bairro Capão Raso, em Curitiba, foram presos pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Curitiba (DHPP) em Santa Catarina, no último sábado (16). A dupla, Kaique Ricardo Alves, 25 anos, e Bruno Martins Ribeiro, 22 anos, havia alugado um apartamento de luxo na cidade de Balneário Camboriú (SC), usando documentos falsos, segundo a polícia. Na noite do crime, dez pessoas foram baleadas, entre elas Erick Pereira de Lima, 30 anos, apontado como o alvo dos disparos.

Erick, conhecido como “Chineque”, foi encaminhado ao hospital logo depois da chacina, mas sobreviveu. Em setembro deste ano, ele foi morto com 21 tiros, de acordo com o delegado Osmar Feijó. A dupla é apontada como responsável pela chacina e pela morte do homem, que aconteceu um mês depois.

“Chineque levou um tiro no peito no dia da chacina e sobreviveu, porque se fingiu de morto. A caminho do hospital ele contou quem seriam os mandantes e assim começamos a investigação. Semanas depois, ele morreu com diversos tiros. O que também ajudou foi o rastreamento dos celulares dos suspeitos e não há como dizer que eles não estavam no bairro Cajuru no dia do crime. Chegamos até Santa Catarina por meio de investigações e realizamos a prisão em um apartamento de luxo que estava alugado por eles”, relatou.

Tráfico de drogas

Durante as investigações, a motivação para o crime foi apontada como uma briga por pontos de drogas na região do Capão Raso. Logo após a chacina, um carro – de propriedade de um dos presos – foi encontrado pelos policiais com marcas de tiros nos vidros, máscaras balaclava e impressões digitais que ajudaram a identificar os suspeitos.

Kaique, Bruno e Felipe, que está foragido. Foto: Divulgação/DHPP.
Kaique, Bruno e Felipe, que está foragido. Foto: Divulgação/DHPP.

Ainda conforme a polícia, Felipe Rafael de Castro, 30 anos, apontado pela Polícia Civil como mandante do crime, estava morando em Itapema, cidade próxima de Balneário Camboriú. No entanto, “Felipe provavelmente soube da prisão dos parceiros, fugiu e está foragido”, explicou o delegado.

Após serem detidos, os suspeitos confirmaram que utilizavam documentos falsos. Um deles ainda confessou que era dono do veículo e que esteve no local do crime. Mas ambos negam que tenham feito os disparos.

A dupla segue presa em Curitiba pelos crimes de tentativa de homicídio, homicídio qualificado e associação criminosa. Em Santa Catarina eles responderão por falsificação de documentos e por posse e uso de drogas. No apartamento dos suspeitos em Balneário Camboriú foi encontrada maconha, em uma quantidade não informada pela polícia.

Casa no Capão Raso onde acontecia um churrasco e onde ocorreu a chacina. Foto: Atila Alberti
Casa no Capão Raso onde ocorreu a chacina. Foto: Atila Alberti

Dez pessoas feridas

O crime aconteceu pouco antes das 23h do dia 25 de agosto de 2017, na Rua Frei Teófilo, no Capão Raso, em Curitiba. Conforme a polícia apurou no local, o grupo – que tinha amigos e familiares – estava reunido num churrasco quando os atiradores chegaram.

Em uma Hyundai Ix35, os homens armados começaram a atirar e não pouparam munições para atingir quem estava no local. Na época, mais de dez ambulâncias foram mobilizadas para o resgate às vítimas.

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