Uma quadrilha responsável pela venda de drogas em Curitiba e região foi desmantelada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (31). Ao todo, 20 pessoas foram presas, entre elas um guarda municipal envolvido no esquema que, segundo a polícia, sabia da venda de drogas e facilitava a ação dos bandidos. Durante as investigações, que duraram cinco meses, aproximadamente R$ 40 mil em dinheiro foi apreendido com o grupo além de armas e drogas, mas a movimentação em imóveis é o que chama a atenção e pode ter ultrapassado os R$ 2 milhões.

A quadrilha, segundo as investigações, usava o dinheiro arrecadado com o tráfico de drogas para comprar imóveis. O comando de toda a ação vinha de dentro da unidade prisional de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Fábio Sidney Ribeiro Leitão, vulgo Herman, mesmo estando preso, é apontado como chefe da quadrilha, e a mulher dele, Bruna Gremski Leitão, cuidava do dinheiro fora da cadeia.

“De dentro da cadeia, ele coordenava a compra e a venda de drogas. A esposa era a responsável pelo recolhimento dos valores em dinheiro, que era aplicado em contas do casal e também dos filhos deles, que são menores. Além disso, parte do dinheiro era usado para a compra de imóveis, nós descobrimos sete adquiridos nos últimos dois anos”, detalhou a delegada Camila Cecconello. Os valores dos imóveis podem ultrapassar os R$ 2,5 milhões.

O grupo, segundo as investigações, era bem organizado e funcionava como uma empresa, mas para o crime. “Identificamos pessoas que armazenavam a droga e também aqueles que coordenavam as biqueiras, onde a droga era efetivamente vendida”. Entre os alvos da operação estava também a jovem Andressa Rafaela de Souza Pantaleão, que era responsável pelo armazenamento da droga e também revendia para pequenos traficantes e usuários.

Foto: Reprodução/Polícia Civil.
Foto: Reprodução/Polícia Civil.

Segundo a polícia, com a ajuda do marido e da mãe dela, Andressa é uma velha conhecida da polícia, que já que chegou a ser presa pela Polícia Militar em maio deste ano com porções de cocaína, maconha e aproximadamente R$ 9 mil. Apesar disso, depois ela foi solta através de um habeas corpus coletivo para mulheres gestantes ou com filhos com idade até 12 anos.

A Denarc descobriu que, assim que ganhou liberdade, Andressa voltou para a atividade de tráfico de drogas. Em julho, ela foi presa mais uma vez, agora pela Denarc, que encontrou na casa dela porções de crack, meio quilo de cocaína, três balanças de precisão e R$ 32,4 mil. Mais uma vez, Andressa se valeu da decisão da Justiça e saiu da cadeia pela porta da frente. Na ação desta quarta-feira, ela foi presa de novo.

GM sujo

O guarda municipal, segundo o que descobriram os policiais, era quem prestava apoio ao líder do grupo e também fechava os olhos ao tráfico de drogas. “Ele morava em frente ao imóvel que ficavam as drogas, no Pilarzinho. Por várias vezes, entrou em contato com o presidiário e se propôs a passar informações sobre as investigações e manter contato com os agentes públicos responsáveis por operações”, detalhou a delegada.

Segundo as investigações, toda vez que sabia de uma ação ou prisão da Denarc ou da Polícia Militar, envolvendo pessoas que faziam parte da quadrilha, o GM se prontificava a tentar descobrir detalhes. “Conseguia as informações sigilosas com os agentes de segurança, que confiavam por ser um guarda municipal, e passava ao presidiário”.

A delegada destacou que, além de ter o conhecimento que o tráfico acontecia na frente de casa dele, saber que a administração era feita de dentro da unidade prisional, o GM ainda ajudava o líder do grupo. “Se omitia e ainda contribuía para que o tráfico de drogas continuasse, por isso a Justiça achou por bem decretar a prisão preventiva dele”, explicou Camila Cecconello, reforçando que a própria Guarda Municipal de Curitiba ajudou  a Denarc nas investigações e no cumprimento do mandado de prisão.

Quadrilha toda em cana

Conforme a delegada, com a ação desta quarta-feira, todos os integrantes do grupo foram presos. Além de Andressa, que era uma velha conhecida dos policiais, o casal Fábio e Bruna, também já passaram pela Denarc. Os dois foram presos em 2013 cometendo, basicamente, os mesmos crimes.

Segundo a polícia, já na época em que foi preso, Fábio comandava o tráfico de dentro da cela e a esposa trabalhava diretamente com a venda de drogas nas ruas. Esta reincidência da investigação, tendo eles novamente como alvos, é responsável pelo nome da operação: “Regresso”.

Em nota, a Guarda Municipal informou que o GM preso foi afastado preventivamente das atividades de rua e, junto com as investigações da Polícia Civil, foi aberta uma sindicância interna pela corporação. O processo vai ser encaminhado à Procuradoria Geral do Município para as providências cabíveis, que podem resultar em demissão do servidor.

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Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

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