Sete acusados de integrarem uma quadrilha de skinheads que espancou dois homossexuais e espalhou adesivos racistas e homofóbicos por Curitiba em 2005 estão nos bancos dos réus. O julgamento começou nesta quinta-feira (1.º), no Tribunal do Júri da capital, e se baseia em denúncia oferecida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) no mesmo ano em que os crimes ocorreram, há 14 anos.

Não há uma previsão para o fim do julgamento, mas se sabe que a sessão continua já sexta-feira (2).

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À época, investigação do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) concluiu que seis de um grupo de 15 skinheads tentaram assassinar, em uma mesma noite, dois homossexuais a facadas uma semana depois de terem espalhado adesivos com frases racistas e homofóbicas pela região central de Curitiba.

O MP-PR ofereceu denúncia cerca de 15 dias depois, elencando os crimes de espancamento, seguido de tentativa de assassinato contra os dois rapazes, além de práticas racistas, formação de quadrilha e incitação ao nazismo.

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Entre os réus que começaram a ser julgados nesta quinta, Anderson Marondes de Souza, André Lipnharski e Raul Astutte Filho foram formalmente acusados pela Justiça por tentativa de homicídio, racismo e associação criminosa. Bruno Paese Fadel, Drahomiro Michel Carvalho e Estela Heise e Fernanda Sens, por racismo e associação criminosa. Também responde aos dois últimos crimes Edwiges Barroso, cujo julgamento foi adiado a pedido do advogado.

Outros dois integrantes da quadrilha já foram julgados e condenados em 2014 pelo Tribunal do Júri por racismo e formação de quadrilha, mas, como os crimes declarados como prescritos, eles não chegaram a ser presos.

Outro lado

A defesa de Bruno Paese Fadel informou que não vai se manifestar. O advogado Álvaro Borges Jr, que defende os réus Raul Astutte Filho e Estela Heise, afirmou que acompanha o caso desde 2005 e que, até hoje, não há provas concretas de que seus clientes fizessem parte de uma “quadrilha armada para cometer crimes de racismo e apologia ao nazismo”. Segundo ele, uma das vítimas do grupo, ouvida pela manhã, teria dito não reconhecer Astutte como um dos autores da facada.

A reportagem não conseguiu contato com o advogado Maran Carneiro da Silva, que defende Anderson de Souza. Mas ao telejornal Meio-Dia Paraná, o profissional afirmou que seu cliente não convivia com o grupo e que deve caber a ele, no máximo, responsabilidade por lesão corporal.

A defesa de André Lipnharski não retornou ao contato feito por volta do meio-dia. Os advogados Amauri da Silva Jr, da defesa de Drahomiro Carvalho e Fernanda Sens não foram localizados nos telefones disponíveis no cadastro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Edson Vieira Abdala, que defende Edwiges Barroso, informou que o julgamento de sua cliente foi adiado por incompatibilidade de agenda da defesa, mas que, apesar disso, a ré é “absolutamente inocente”. “Ela era casada com um réu que já foi julgado e condenado por esse crime, mas ela não tem envolvimento”, alegou o profissional.

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