As sete pessoas acusadas de integrarem uma quadrilha de skinheads que espancou dois homossexuais e espalhou adesivos racistas e homofóbicos por Curitiba em 2005 foram condenados nesta sexta-feira (2) por crimes de racismo, associação criminosa e lesão corporal. Porém, nem a vítima nem a defesa ficaram satisfeitos com o resultado do julgamento.

+ Atenção! Você está a um clique de ficar por dentro do que acontece em Curitiba e Região Metropolitana. Tudo sobre futebolentretenimentohoróscopo, nossos blogs exclusivos e os Caçadores de NotíciasVem com a gente!

Os réus, à época, integravam um grupo alinhado a ideais racistas. As vítimas – um homossexual e um negro – foram atacadas com socos, chutes e golpes de estilete, sendo que a violência das agressões teve grande repercussão. No julgamento, que começou na manhã de quinta-feira (1) e terminou nesta sexta, o Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da Promotoria de Crimes Dolosos Contra a Vida de Curitiba, conseguiu a condenação, mas nem isso agradou as vítimas.

Uma delas, Willian Cezar Martins Cardoso, diz se sentir mais aliviado porque houve condenação, mas ele e o advogado devem recorrer de todos os embargos. Cardoso também reclamou que a tentativa de homicídio tenha sido desqualificada no processo. “Infelizmente, foi desqualificada. Isso quer dizer que uma pessoa pode pegar uma faca, atacar outra e responder apenas por lesão corporal grave. Na mesma hora que fiquei feliz com a condenação fiquei chateado porque as penas foram mínimas”, ponderou a vítima.

Daqui a mais ou menos um mês e meio, Willian Cezar terá que passar por outro júri. O oitavo acusado dos crimes, Edwiges Barroso, teve o julgamento adiado a pedido do advogado. “É uma sensação péssima e bem difícil. Ontem, um dos advogados tentou me desqualificar de todas as formas. Os famosos garotos de programa. Mas conseguimos manter a calma e a serenidade durante o meu depoimento. Passar por isso mais uma vez é bem complicado”, relatou Willian.

+ Menino de nove anos morre após ser atropelado por caminhão; outra criança ficou ferida

Os réus foram condenados a penas que variam entre um ano e meio e oito anos e meio de reclusão. O que pegou a maior pena foi condenado por todos os crimes e cumprirá em regime, inicialmente, fechado. Os dois que receberam a menor pena (com regime inicial aberto) foram considerados culpados pelo crime de associação criminosa armada.

Outras duas pessoas foram condenadas por associação criminosa armada e racismo e discriminação, com pena de dois anos e dez meses de reclusão, em regime inicial aberto. O sexto réu recebeu pena de seis anos e meio, em regime inicial fechado, por associação criminosa e lesão corporal gravíssima. O último, pegou pena de sete anos e dez meses de reclusão, em regime inicial fechado, por lesão corporal gravíssima, associação criminosa armada e racismo e discriminação.

O MPPR atuou na acusação e sustentou a prática dos crimes de racismo e discriminação, associação criminosa armada e lesão corporal gravíssima – tese acolhida pelos jurados. Além de agredir as vítimas, os réus distribuíram folhetos pela cidade com mensagens racistas, de ataque à população LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex) e de alusão ao nazismo.

+ Mulher ‘troca’ adolescente por droga, mas é presa junto com suspeito de estupro

Entre os envolvidos estão Anderson Marondes de Souza, André Lipnharski e Raul Astutte Filho, que foram formalmente condenados por tentativa de homicídio, racismo e associação criminosa. Bruno Paese Fadel, Drahomiro Michel Carvalho, Estela Heise e Fernanda Sens foram condenados por racismo e associação criminosa.

Outros dois integrantes da quadrilha já foram julgados e condenados em 2014 pelo Tribunal do Júri por racismo e formação de quadrilha, mas, como os crimes foram declarados como prescritos, eles não chegaram a ser presos.

A defesa de André Lipinharski discorda tecnicamente da pena imposta. Em nota, a advogada dele disse que “recorrerá, para redução ao mínimo e cumprimento em liberdade”. Segundo a defesa, Lipinharski é primário e sem registro de antecedentes.

Os outros condenados também devem recorrer.