Um tenente-coronel da Polícia Militar do Paraná, que é médico da corporação em Cascavel, no oeste do estado, foi denunciado pelo Ministério Público por abuso sexual. O caso tramita na Vara da Auditoria da Justiça Militar e um conselho deve decidir em breve se o oficial continuará ou não nos quadros da PM-PR. O oficial Fernando Dias Lima, conhecido como Fernando Bacana, está afastado desde o ano passado, quando chegou a ficar preso durante 11 dias.

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O militar responde, na ação, a 23 denúncias, a maioria por atentado violento ao pudor e sete por assédio sexual, crimes que teriam sido cometidos no 6º Batalhão da Polícia Militar em Cascavel, no 14º BPM de Foz do Iguaçu e na Academia Policial de Guatupê.

Segundo o programa Fantástico, da TV Globo, o médico está sendo acusado de usar os consultórios dos quartéis para abusar sexualmente de mulheres. Algumas vítimas precisaram de tratamentos psicológicos e afastamento médico. Os relatos apontam que o médico costumava deslizar as mãos e genitália pelos corpos das pacientes e cheirar os pescoços.

Fernando Bacana já foi vereador e secretário municipal de saúde de Cascavel na gestão do então prefeito Lísias de Araújo Tomé. O médico também já atuou no Siate (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência) e está na Polícia Militar desde 2009 – os supostos abusos teriam começado a ocorrer dois anos depois.

Fase decisória

Segundo a Corregedoria da Polícia Militar do Paraná (PM-PR), o Conselho de Justificação foi instruído e se encontra na fase decisória. É este conselho que decidirá se o oficial continuará ou não nos quadros da PM-PR.

A corregedoria diz que não houve demora nas investigações, pois, assim que recebeu a denúncia, imediatamente foi instaurado o procedimento investigatório por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM) que identificou “indícios de atos contrários à lei e às normas disciplinares”.  O inquérito foi encaminhado à Justiça Estadual para processo criminal.

Ainda de acordo com a corregedoria, não há dificuldades em se realizar apurações de denúncias contra qualquer militar estadual sobre delitos administrativos ou penais. “Entretanto, o assunto, pela complexidade que tem, induz erroneamente as vítimas em não procurarem a administração, situação que deve ser observada para não expor ainda mais as pessoas que já sofreram tanto. Ratifico que todos as denúncias, informações, pedidos de providências ou qualquer documento que relate indícios da prática de crime ou transgressão disciplinar cometidas por militares estaduais, os quais chegam a conhecimento da Corregedoria-Geral da PM-PR são devida e formalmente apurados”, informou.

Outro lado

A reportagem não conseguiu contato com o oficial médico, mas, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Fernando Dias Lima negou as acusações e sugeriu que foram retaliações contra ele.

“Isso eu posso te afirmar, em plena convicção, perante a Deus, que não. E que todos esses fatos surgiram depois de denúncias que eu estava fazendo em relação à polícia. À Polícia Militar. A gente só pode falar aquilo que a gente pode provar. Foi após algumas cobranças que eu tava fazendo. Mera coincidência, talvez”, afirmou.

Na época em que o caso veio à tona, o médico disse que muitos oficiais tinham certa inveja dele por ter subido de patente rapidamente. Em menos de dez anos ele se tornou tenente-coronel.

Polícia investiga assassinato de PM querido da corporação