Três dias de audiências, 13 pessoas ouvidas, alguns bate-bocas entre advogados, novas informações que não estavam no inquérito policial e surpresas jurídicas. Assim podemos resumir a primeira fase da audiência de instrução e julgamento do caso Daniel Corrêa Freitas, no Fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

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Esta etapa foi encerrada ontem com as oitivas presenciais das testemunhas de acusação do crime. Mais uma testemunha de acusação deve ser ouvida por carta precatória (à distância) na semana que vem (dia 26), em Foz do Iguaçu. Depois disto, as audiências serão retomadas somente na manhã do dia 1º de abril, mas dando voz às testemunhas de defesa dos sete réus (Edison, Cristiana e Allana Brittes, além de Igor King, Deivid Vollero, Eduardo Henrique e Evelyn Peruso. Esta última é a única em liberdade). É possível que esta segunda etapa dure uma semana inteira, visto que há 77 testemunhas a serem ouvidas.

Antes do início dos trabalhos, o advogado Rodrigo Faucz, que defende os réus Igor King e Deividi William Vollero da Silva, pediu a nulidade das oitivas realizadas nos dois dias anteriores. Mas a juíza negou o pedido e Rodrigo deve recorrer a instâncias superiores (leia mais sobre isto na matéria ao lado). Por conta disto, o início da audiência, previsto para às 9h, atrasou e só começou depois das 10h30. Aí veio o depoimento do delegado Amadeu Trevisan, que presidiu as investigações do crime na fase policial. Ele ficou por quase três horas sendo ouvido, até então a mais longa oitiva de todas, que avançou pela hora do almoço. Uma fala do delegado, afirmando que Cristiana poderia ter evitado o homicídio, levou Trevisan e o advogado Claudio Dalledone, que defende Cristiana, a um breve embate. Desde o início, Dalledone tenta tirar de Cristiana e Allana a acusação de homicídio e deve trabalhar para que o júri as absolva no final do processo.

Indignado, o advogado Rodrigo Faucz pretende ir até as últimas medidas para anular audiências do caso Daniel. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Indignado, o advogado Rodrigo Faucz pretende ir até as últimas medidas para anular audiências do caso Daniel. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Continuando

As oitivas foram retomadas quase às 15h, com o depoimento de um investigador de polícia. Ele contou como foi todo o processo de investigação, desde o momento que foram informados do local do achado do cadáver de Daniel, no sábado pela manhã, até os desdobramentos após a prisão dos autores. Cada um dos advogados de defesa dos sete réus o questionou conforme suas estratégias de defesa. Foram debatidos assuntos como o arrombamento da porta do quarto do casal Brittes, a mutilação do pênis do jogador, a intimidação de Edison aos homens da casa, para que o ajudassem a emascular (decepar o pênis) Daniel, o celular de Cristiana Brittes e a participação dela no crime, entre outros temas. Durou mais de três horas, ou seja, superou a do delegado, e precisou de uma pausa técnica, para que o computador conseguisse gravar o depoimento em vídeo.

O colega dele, outro investigador de polícia que atuou no caso, foi ouvido na sequência, dessa vez bem mais rápido, que não durou uma hora.

O terceiro dia foi mais calmo, com menos bate-boca e surpresas. Mas teve momentos de apoio aos Brittes. Amigas de Allana foram convocadas a depor e estavam no andar de baixo, aguardando serem chamadas. Neste momento, Cristiana passou pelo corredor no andar de cima, as viu lá embaixo, trocou acenos, sorrisos e recebeu um sinal de “força” das jovens.

Liberdade

Ao final do dia, o advogado Cláudio Dalledone revelou que irá solicitar a liberdade de Allana através de um habeas corpus pois, segundo ele, ficou comprovado diante das provas orais (depoimentos) que a jovem não participou do crime. E dependendo da decisão da juíza, a liberdade pode se estender a Cristiana. Já os assistentes de acusação, os advogados Mithelle Weber e Elias Bueno, acredita que todos os sete réus são acusados de homicídio e devem ser condenados lá no Tribunal do Júri.

Enquanto os depoimentos transcorriam no Fórum de São José dos Pinhais, a família e amigos de Daniel, que prestaram depoimento na terça-feira, retornaram a Minas Gerais. Eles embarcaram na hora do almoço no aeroporto Afonso Pena.

Caso Daniel: inconformado, advogado promete ir às últimas consequências para anular audiência