Testemunhas do caso Renata Muggiati serão ouvidas nesta quarta-feira (23). Marcados para 13h30, os depoimentos serão tomados no Juizado da Violência Doméstica Contra a Mulher, em Curitiba. Este procedimento é mais uma audiência de instrução e julgamento em continuação ao processo movido pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).

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Ao todo, nesta quarta-feira, vão ser ouvidas oito testemunhas de acusação. Nos próximos meses, outras audiências estão marcadas: para os dias 27 de fevereiro, 27 de março, 24 de abril e 25 de maio.

Raphael Suss Marques e os médicos-legistas Francisco Moraes Silva e Daniel Colman são réus no processo. Raphael, que era namorado de Renata, é acusado de matar a moça, enquanto os peritos são acusados de emitir um exame de necropsia com conclusão falsa, ou seja, terem feito “falsa perícia”.

Falsa perícia

Os médicos-legistas se tornaram réus na denúncia contra o médico Raphael Suss Marques a pedido da promotoria, que foi aceito pela juíza Márcia Margarete do Rocio Borges, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Curitiba. De acordo com o MP-PR, os dois teriam feito uma falsa perícia, com dados que não estavam relatados ou anotados.

O MP-PR apurou que os dois fizeram um novo laudo pericial mesmo sem ter acesso ao corpo de Renata e também aos exames complementares. O médico Daniel Colman foi demitido do Instituto Médico-Legal (IML) no começo de junho de 2018, depois de passar por um processo administrativo. O outro perito já estava aposentado desde 2003.

Na época do crime, Daniel foi o primeiro perito a fazer a análise no corpo da fisiculturista e teria afirmado que ela morreu por ferimentos provocados pela queda do prédio. Essa mesma afirmação se repetiu num segundo exame que o médico teria feito.

De acordo com os promotores do MP-PR, os peritos colocaram o laudo falso no sistema de informação do IML usando um notebook de Daniel Colman e uma rede de internet sem fio chamada “Francisco WIFI”. A ideia seria encobrir a real causa da morte de Renata.

Com as suspeitas, na época a polícia pediu uma nova perícia, que foi feita por uma junta médica com a exumação do corpo de Renata. O exame feito apontou que ela morreu por asfixia, ou seja, já estava morta quando caiu do apartamento, que ficava no 31º andar.

O crime

Renata Muggiati morreu na madrugada do dia 12 de setembro de 2015, quando caiu do 31º andar de um prédio da Rua Visconde do Rio Branco, na esquina com Comendador Araújo, no Centro de Curitiba. Na noite do crime, Raphael Suss Marques teria dito à Polícia Militar (PM) que a mulher se jogou do prédio, porém, a DHPP desconfiou e encontrou elementos que pudessem acusa-lo de asfixiar e depois jogar o corpo da atleta pela janela, simulando então um suicídio.

Pouco depois da morte, os laudos sobre a morte se contradiziam: Enquanto outros exames diziam que ela tinha sido assassinada, pois ela já estaria morta quando foi jogada pela janela do apartamento, o laudo de necropsia, feito por Daniel Colman, dizia que ela morreu quando caiu ao solo, ou seja, que estava viva quando despencou do prédio.

Não demorou muito e Raphael foi preso pela DHPP e, na época, negou o homicídio. Ele se defendeu dizendo que a mulher sofria de depressão e que já tinha tentado suicídio outras duas vezes. O corpo de Renata foi exumado, a junta médica concluiu o homicídio com um novo exame, e Raphael, que foi preso algumas vezes novamente, ficou detido até agosto de 2017, quando conseguiu o direito de responder ao processo em liberdade.

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