Cascavel ? Venílton Ribeiro Ferraz, de 25 anos, que morava na Fazenda Cajati, em Cascavel, ocupada há quatro anos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foi morto na noite de anteontem, com um tiro na cabeça, dentro de casa. A polícia já tem o nome de suspeitos.

Segundo o delegado Tadeu Bello, eles seriam moradores de outro acampamento, na Fazenda Padroeira, em Ramilândia, coordenado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais (MTR). Ferraz também pertencia ao MTR, mas, em razão de desavenças, havia se mudado havia uma semana para o acampamento do MST.

O MST divulgou nota dizendo que os responsáveis pela morte seriam Antônio da Cruz e Lírio Alberti, que há 3 meses teriam ameaçado Venílton de morte. “Desde 2002, organizaram milícia armada, junto com fazendeiros e autoridades municipais de Ramilândia para atacar o acampamento do MST, que se encontrava em processo de assentamento”, denunciou o movimento. Segundo o MST, os dois já estariam envolvidos na morte de Nelson Alves de Souza, ocorrida em janeiro, em Ramilândia.

General Carneiro

A Fazenda Rondon, da Madeireira Zattar, em General Carneiro, foi ocupada na manhã de ontem por cerca de cinqüenta famílias pertencentes ao MST. Com 4 mil hectares, a propriedade possui pínus, tanques para peixes e criação de gado em área arrendada. Parte é considerada área de preservação ambiental. As famílias estavam acampadas havia 90 dias às margens da PR-070, entre General Carneiro e Bituruna.

Balanço

Os números oficiais do Ministério do Desenvolvimento Agrário divulgados ontem mostram que ocorreram no país 171 ocupações de terra de janeiro a 10 de agosto deste ano. Neste período, foram registrados dezoito assassinatos de trabalhadores rurais por questões de conflito agrário, nove deles no Pará. A maioria das ocupações ocorreu em Pernambuco (55 casos). O Paraná vem em segundo, com 27.

Em todo o ano passado, foram 103 ocupações, ou seja, nos oito primeiros meses do governo Lula ocorreram 68 invasões a mais. Em 1995, primeiro ano do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, houve 144 invasões e, em 1999, primeiro ano do segundo mandato, foram 502.