Preocupados com a volta da erosão, produtores rurais, técnicos do setor agropecuário, lideranças e estudantes de ciências agrárias do oeste do Estado participam, nesta sexta-feira, em Cascavel, do Seminário ?Conservação de Solos e Água no Paraná?.

O objetivo é rediscutir questões relacionadas ao manejo conservacionista, debater a eficiência de práticas, que visam a proteção dos recursos naturais, e buscar soluções para os problemas causados pela inadimplência de alguns agricultores que, com o tempo, abandonaram técnicas que garantem uma maior conservação dos solos e água do Estado.

O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, lembrou que a conscientização é o primeiro passo para assegurar a proteção do meio ambiente e dos recursos necessários ao desenvolvimento do setor agropecuário.

?Além de ter consciência, precisamos praticar ações que impedem a volta de problemas, que causaram tantos prejuízos no passado. Os produtores e os técnicos não podem descuidar. A falta de um manejo conservacionista adequado provoca perdas não só para o proprietário de uma área rural, mas também afeta a comunidade próxima ao local e, sem dúvida, toda a sociedade. Precisamos ser precavidos?, alertou.

Nos últimos três anos, voltaram a ocorrer, com maior intensidade, processos erosivos na região oeste do Paraná. Segundo o engenheiro agrônomo do Núcleo da Secretaria da Agricultura, em Cascavel, Cézar Augusto Pian, a situação foi causado em decorrência do descuido por parte de alguns agricultores. ?Alguns produtores não conservaram os terraços que existiam em suas propriedades. Simplesmente, abandonaram. Outros, chegaram a retirar os terraços?, criticou.

Pian lembrou que, três anos atrás, com a valorização da soja e a corrida para cultivar o grão, o problema se agravou. ?Com o ?boom? da soja, houve uma incorporação de áreas que, até então, não eram usadas para a agricultura mecanizada. É o caso das áreas de pastagem. Saão justamente elas que têm maiores problemas quanto à conservação?, disse.

O engenheiro agrônomo também destacou o avanço de atividades agrícolas em áreas de preservação permanente. ?Entre alguns produtores, essa prática já é comum. Precisamos evitar que isso continue a acontecer?, afirmou.

O presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Nelson Menegatti, tem a mesma preocupação. ?Temos o dever de conservar as reservas permanentes às margens dos nosso rios?, comentou. Segundo ele, os agricultores também precisam ter um maior cuidado com o solo. ?Vivemos da agricultura. Por isso, é importante não apenas praticar o plantio direto, mas também, manter os talhões e cuidar bem da terra. O agricultor não pode esquecer que o solo é o grande capital dele?, disse.

De acordo com o organizadores, o Seminário de Cascavel deverá reunir cerca de 700 pessoas, entre produtores, técnicos e estudantes. O evento será o nono de uma série de 12 encontros. Os Seminários são promovidos pelas secretarias estaduais da Agricultura, do Meio Ambiente, empresas públicas e privadas, universidades, prefeituras, conselhos municipais e associações de classe.