A representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, chega ao Brasil em meio a mais uma polêmica envolvendo os dois países. Hoje, o presidente da Comissão de Finanças do Senado americano, o republicano Chuck Grassley, ameaçou retirar o Brasil e a Índia do chamado Sistema Geral de Preferências (SGP), pelo qual a maior economia do planeta dá tratamento comercial diferenciado para algumas nações em desenvolvimento. Na prática, o SGP concede preferências por meio da redução de tarifas ou livre entrada de produtos importados de países mais pobres.

De acordo com Grassley, as duas nações ofereceram grandes obstáculos nas negociações da Rodada Doha."Por que tratar de forma especial países que não quiseram abrir seus mercados nas negociações da OMC?", indagou, citando nominalmente Brasil e Índia."Por que deveríamos continuar a dar tratamento preferencial a países que usam a maior parte dessas preferências?" Brasil e Índia estão entre os três países que mais se beneficiaram do sistema no ano passado.

O SGP foi criado em 1974 nos EUA e a lei que o instituiu deve ser renovada periodicamente. A próxima renovação, que deve ser aprovada pelo Congresso, está prevista para dezembro. "Estou seguro de que não incluirá Brasil e Índia", garantiu o senador. No ano passado, os Estados Unidos importaram o equivalente a US$ 26,7 bilhões de 136 países em desenvolvimento que estão incluídos no SGP. Não é a primeira vez que o Brasil enfrenta problemas no âmbito do SGP. Em diversas ocasiões, os Estados Unidos ameaçaram retirar o País do sistema, por conta de pirataria e outras questões relacionadas à propriedade intelectual.

Também hoje, o presidente George W. Bush instou o Congresso americano a não se mostrar protecionista, erguendo "muralhas e barreiras em torno do país".