Brasília ? O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), disse hoje (7) que "não há clima de confronto" entre os parlamentares e o Supremo Tribunal Federal (STF) pelas decisões que impediram aos senadores o acesso à quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal de alguns depoentes. Efraim e o relator da CPI, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) se reuniram nesta manhã com o presidente do STF, ministro Nelson Jobim.

"Acho que as CPIs dos Bingos e dos Correios pretendem chegar ao fim das investigações. Evidente que determinadas posições e decisões do Supremo, na pior das hipóteses, atrasam nosso trabalho. Mas vamos continuar conversando com todos os poderes, porque entendemos que o importante no final é um relatório consistente e verdadeiro e que venha realmente refletir aquilo que trabalhou e investigou a CPI", afirmou Efraim. Ele disse que a conversa com Jobim foi "cordial".

Garibaldi disse aos jornalistas que o ministro Nelson Jobim lembrou que a CPI dos Bingos só foi instalada por uma decisão do STF. "De fato ele lembrou uma coisa de que já estávamos lembrados", brincou o senador. Segundo o relator, o presidente do Supremo afirmou que "havia toda uma boa vontade com relação ao funcionamento da CPI".

O relator da CPI destacou que as informações sobre quebra de sigilo são "fundamentais" para qualquer comissão. Mas disse que em alguns casos o Supremo "tem razão". "O funcionamento da CPI não deixa de ser afetado. Apenas temos que estar em permanente vigilância e fazer uma auto-crítica e ver o que podemos encaminhar", afirmou Garibaldi. Ele disse que no caso do requerimento que pedia a quebra de sigilo do empresário Roberto Carlos da Silva Kurzweil "houve um problema burocrático" apontado pelo STF.

O Supremo suspendeu também a quebra dos sigilos de Paulo Okamotto, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresas (Sebrae) que havia sido aprovada pela CPI. Na tarde de hoje, a CPI dos Bingos vai protocolar no STF um pedido de reexame dessas duas decisões que impediram a comissão de ter acesso às informações da quebra de sigilo de Roberto Carlos Kurzweil e Paulo Okamotto.