O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pediu à consultoria legislativa do Senado que avalie alternativas que possibilitem investigações parlamentares sobre denúncias de lavagem de dinheiro nas loterias federais. Uma das alternativas, de acordo com o parlamentar, seria a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os casos suspeitos. ?Há denúncias sérias de lavagem de dinheiro, enfim são escândalos que sucedem na área de loteria?, disse o senador.

De acordo com Álvaro Dias, a Polícia Federal e o Ministério Público também serão acionados, independemente da instauração da CPI, cuja abertura exige certo consenso no Congresso. ?Há agora o caso suspeito do ganhador do Rio Grande do Sul que picotou o bilhete e outro, de Brasília, que desapareceu. São fatos estranhos. Há também a denúncia de uma incrível coincidência em que houve um número expressivo de ganhadores em uma mesma região. A propabilidade matemática de isso ocorrer é zero?, disse.

No concurso 529, 15 ganhadores eram da região Nordeste e no concurso 598, um apostador do Rio Grande do Sul criou a expectativa de que o bilhete milionário pode ir parar nas mãos de qualquer pessoa que o encontre. Ele relatou a amigos que fez uma aposta em números desconhecidos, válida por quatro semanas, e que, por distração, se desfez do volante depois do primeiro sorteio. Agora não lembra quais eram os números e não tem como conferir se é o ganhador ou não.

A lavagem de dinheiro é o processo pelo qual criminosos transformam recursos ganhos em atividades ilegais em dinheiro com origem aparentemente legal. Essa prática geralmente envolve múltiplas transações, usadas para ocultar a origem do dinheiro obtido ilicitamente e permitir que ele seja utilizado sem comprometer os criminosos. A dissimulação é, portanto, a base para toda operação de lavagem que envolve dinheiro proveniente de um crime.

De acordo com a Caixa Econômica Federal, organizadora dos jogos, quase a metade do total de dinheiro arrecadado com as loterias vai para programas sociais do governo federal. Em 2003, de uma arrecadação de R$ 3,5 bilhões, foram destinados mais de R$ 1,7 bilhão a áreas prioritárias como seguridade social, saúde e educação.