O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pode voltar a depor na CPI dos Bingos. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse hoje que vai conversar com seus colegas da bancada e da comissão sobre a necessidade de reconvocar Palocci para que ele possa se defender das acusações feitas pelo caseiro Francenildo Santos Costa, conhecido por Nildo. Em entrevista à Agência Estado e no depoimento que deu à CPI na quinta-feira, interrompido pela liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) requerida pelo senador Tião Viana (PT-AC), sob a orientação do governo, Nildo contou que Palocci freqüentava a casa do Lago Sul alugada por seus amigos de Ribeirão Preto.

De acordo com o caseiro, ali era feita a divisão de dinheiro trazido de Ribeirão Preto e realizadas festas animadas por garotas de programa. A situação do ministro se agravou na comissão depois dele perder o voto do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e de não ter mais o apoio do PSDB. ACM disse que votará com o seu partido. As reações se deve à tentativa do governo de recorrer ao Supremo para boicotar os trabalhos da comissão.

Para o senador Álvaro Dias, o próprio Palocci deveria pedir para ser ouvido pela comissão, "especialmente se ele continuar ministro", frisou. "Um ministro não pode continuar sob suspeita", alegou. Álvaro Dias relacionou em ordem cronológica sete afirmações de Antonio Palocci já desmentidas. A lista começa por ele dizendo que não fez novos contratos com a empresa Leão Leão na sua gestão na prefeitura de Ribeirão Preto e termina pela sua afirmação que não freqüentava a casa do Lago Sul. Segundo o senador, no primeiro caso, ele foi desmentido no mesmo dia: "Na verdade, Palocci assinou 19 contratos com a Leão Leão", corrigiu. Sobre a casa, ele lembrou que a palavra do ministro já foi contestada pelo motorista Francisco Chagas Costa e pelo caseiro.

O presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB) reforçou a posição de Dias. Segundo ele, caberia a Palocci pedir para depor. "Acho que ninguém mais do que o ministro deveria dizer que quer depor para tentar desfazer as afirmações feitas por Rogério Buratti (ex-assessor de Palocci em Ribeirão), o motorista Francisco Chagas Costa, o delegado Benedito Valencise e o caseiro Nildo". Segundo Efraim, os quatro depuseram na CPI e desmentiram declarações de Palocci.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), começou a colher hoje assinaturas para ampliar o objeto de investigação da comissão. Segundo ele, trata-se de uma "medida preventiva" para impedir que novas liminares do Supremo venha a interromper o trabalho da CPI. Efraim considera a medida desnecessária. Ele argumentou que em nenhum momento a investigação saiu do foco, como alega o governo.