O candidato da Grande Aliança (PSDB-PMDB) à Presidência da República, José Serra, afirmou hoje que o PT, legenda de seu adversário na disputa pelo Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, ?não é um partido de esquerda, é um partido corporativista, o que é completamente diferente?. Em ato na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o tucano perguntou por que os petistas não aumentaram os salários do funcionalismo nos seus governos e atacou duramente as administrações do PT, acusando-as de problemas como crescimento da violência. O parlamentar afirmou que é o candidato mais à esquerda, se isso quer dizer querer mudanças.

?Alguém acha que o PT vai dar 60% de reajuste ao funcionalismo??, perguntou. ?Por que não deu no Rio? Por que não deu em Recife? Por que não deu em São Paulo? Por que (Lula) não debate funcionalismo comigo?? Serra afirmou que, como Lula nunca ocupou nenhum cargo público, se vencer a eleição será o PT que governará. ?O Brasil não é os Estados Unidos, é um País difícil de governar?, declarou. ?A segurança era o sexto problema do Rio Grande do Sul, hoje é o primeiro. Vocês vão a Belém, é a cidade dos meninos de rua. Cadê a política social?? O Estado e a cidade são governados por petistas. Ele voltou a acusar Lula de se ocultar, ao evitar ir a debates – ?Por que as pessoas se ocultam? É para enganar?, atacou-, e tentou relacionar a resistência do petista aos confrontos a eventuais problemas que terá que enfrentar se for presidente.

?Lula diz que precisa de 48 horas para se preparar para um debate?, ironizou. ?Imaginem na Presidência, onde tem que tomar por dia dez decisões com o peso de um debate…? Serra afirmou que o petista, agora, também se recusa a ir aos mesmos programas de rádio e TV que ele, mesmo em dias diferentes, para evitar comparações, e relacionou os órgãos de imprensa e programas aos quais Lula se recusou a ir para esse tipo de atividade, no segundo turno (CBN, Roda Viva, Jô Soares, Folha de São Paulo, Rede Record e Rede Bandeirantes).

Em referência ao depoimento de Regina Duarte em seu programa no horário gratuito, no qual a atriz afirma ter medo de Lula, embora não o cite nominalmente, o tucano voltou a atacar Lula. ?O que dá medo no Brasil é um candidato a presidente ter medo de debater?, afirmou. O tucano também disse que governar não é ficar conversando (uma das teses de Lula é que vai conversar com todos os setores envolvidos, antes de decidir), mas tomar decisões.

Um dos participantes do ato, o ator Carlos Vereza, manifestou solidariedade a Regina, que tem sido criticada por adeptos do petista.

?O Serra não é o candidato do ódio e do medo?, afirmou. ?Uma parcela significativa da população tem medo, e eu estou com medo também. Uma biografia não pode ser transformada e rescrita em seis meses. Lula há seis meses era contra tudo que agora difunde. Deixo aqui minha solidariedade a Serra e a Regina Duarte.? O ator falou pouco após o tumulto que degenerou em agressões, iniciado depois que ex-mata-mosquitos tentaram promover um ato anti-Serra em meio à sua manifestação de campanha na ABI. Ele pediu calma e vibrações positivas.

Do ato de apoio a Serra, no qual ele também recebeu a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal do Rio, participaram pefelistas como o vice-presidente da República, Marco Maciel, e o prefeito do Rio, Cesar Maia; peemedebistas como o senador eleito Sérgio Cabral Filho e o presidente do partido no Rio, Moreira Franco; e tucanos como o senador Artur da Távola e o presidente do PSDB do Rio, Silvio Lopes.