Servidores públicos que integram o Fórum Paranaense em Defesa da Previdência Social promoveram, ontem, em Curitiba, mais uma manifestação contra as propostas da Reforma da Previdência. O objetivo do movimento é informar a população sobre as conseqüências da reforma para a vida do cidadão brasileiro, e principalmente, para os servidores. O ato também serviu para mobilizar a categoria para a paralisação nacional, marcada para dia 8 de julho.

A concentração aconteceu na Praça Santos Andrade, de onde os manifestantes seguiram em passeata até a Boca Maldita, na Rua XV de Novembro. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Paraná, Mauro Ferreira Dal Bianco o governo federal tem divulgado informações distorcidas sobre as contas da previdência. Segundo ele, a Constituição de 88 separa o orçamento da União em dois, sendo, o fiscal e de seguridade social, com fontes de recursos diferenciadas. “Ao somar esse balanço com as despesas da seguridade social temos um superávit de R$ 50 bilhões anuais”, defende Bianco. O déficit que o governo divulga, segundo ele, vem de cálculos tendenciosos feitos com base apenas nas despesas com a contribuição.

A reforma proposta pelo governo, afirma o sindicalista, não é justa, nem tão pouco moderna, porque deveria estender os benefícios para todos os trabalhadores. Ele citou como exemplo o programa de privatizações iniciado a cerca de dez anos no País, que surgiu com a promessa de aliviar o orçamento estatal para ampliar os investimentos na área social. “Isso não aconteceu, e agora se muda o discurso, incentivando inclusive o investimento em fundos privados como uma solução”, disse.

Perdas

Para o representante do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE, Luis Almeida Tavares está embutido na proposta de reforma o enfraquecimentos dos Estados. Ele entende que ao longo dos anos não será possível repor o quadro de servidores públicos que estão deixando as funções, antecipando aposentadorias para tentar garantir os benefícios. “Nossa preocupação é que vai haver um esvaziamento nas universidades e outras instituições que contam com profissionais especializados, deixando a população prejudicada no seu atendimento”, ressaltou.