A receita líquida de vendas do setor de embalagens no Brasil deve alcançar R$ 33 bilhões em 2005, um crescimento de 15% em relação ao ano passado.

A estimativa é da Abre (Associação Brasileira da Embalagem), baseada em estudo da Fundação Getulio Vargas. Se a expectativa se confirmar, o Brasil terá acumulado um crescimento de 65% desde 2002, quando a arrecadação do setor foi de pouco mais de R$ 20 bilhões.

Esse panorama positivo está animando os expositores da Feipack ? 2a. Feira Sul Brasileira da Embalagem, que acontece de 14 a 17 de setembro de 2005, no Centro de Exposições de Curitiba ? Parque Barigui. Em sua segunda edição, a feira já é considerada por empresas e entidades do setor como uma das principais feiras da área no Brasil. Isso graças ao sucesso da edição 2004, que teve mais de 14 mil visitantes, entre empresários e profissionais de vários segmentos da indústria.

A empresa paranaense Trombini, que produz caixas de papelão ondulado e sacos de papel multifolhados, não só participa como patrocina o evento pela segunda vez. ?A participação da Trombini na primeira edição foi bastante proveitosa, tanto institucional quanto comercialmente. Esse fator aliado ao momento favorável pelo qual passa o mercado nos animou a participar novamente?, ressalta o presidente da organização, Renato Trombini.

Para o presidente da Abre (Associação Brasileira da Embalagem), Fábio Mestriner, as feiras são agentes potencializadores de negócios, pois proporcionam o encontro de um público altamente especializado e interessado no assunto com os fornecedores, que oferecem uma ampla gama de produtos. Além disso, também são importantes para avaliar em que estágio de desenvolvimento está o setor. Com relação especificamente à Feipack, ele destaca a descentralização.

?Desenvolver esse tipo de atividade fora dos centros tradicionais onde as feiras acontecem traz a oportunidade para que empresas de todo o país conheçam o potencial de negócios da região e dêem a ela uma maior atenção em seus planejamentos mercadológicos?, explica.

O desempenho da indústria de embalagens, que é aferido pela produção física propriamente dita, tem sido crescente nos últimos anos. No ano passado, a indústria de embalagens produziu 2,26% acima de 2003 e, para este ano, a estimativa varia entre 2,9% e 4,2%. Desde 2000 o setor não registrava um nível de utilização da capacidade produtiva tão positivo como hoje: 85,6%.

Segundo o presidente da Abre, a tendência para os próximos anos é que o setor continue crescendo, pois o consumo de embalagens no Brasil ainda é menor que a média mundial. ?No Brasil temos um consumo de embalagens de US$ 72 por habitante ao ano, enquanto que no resto do mundo este valor gira em torno de US$ 85. Assim, ainda há bastante mercado disponível para crescer?, explica.

Não é apenas no mercado interno que a situação do setor de embalagens brasileiro é positiva. As exportações devem chegar a US$ 350 milhões este ano, um aumento de 17% em relação a 2004 e 35% em relação a 2003. Em 2004, os segmentos de embalagens de papel e papelão, plástico e metal foram os campeões de exportações, sendo que cada um deles respondeu por, aproximadamente, 30% do total.

O segmento de embalagens de madeira exportou 5,59% e o de vidro, 4,03%. O principal destino das embalagens brasileiras são os países do Mercosul, mas os Estados Unidos e a África também já consomem uma fatia significativa.

Do ponto de vista industrial e de qualidade das embalagens, o Brasil está em pé de igualdade com outros países produtores. ?Em máquinas, equipamentos e tecnologia, estamos atualizados e somos também competitivos. Para se ter uma idéia de como o mercado brasileiro é valorizado, dos 20 maiores grupos produtores de embalagens, 18 têm filiais e atuam no Brasil?, exemplifica Mestriner.