O emprego industrial não cresceu em 2006 porque os segmentos mais empregadores registraram desempenhos ruins na produção, segundo explica a economista Denise Cordovil, da coordenação de indústria do IBGE. Além disso, segundo ela, o mercado de trabalho responde de forma defasada aos movimentos da produção, que mostrou mais vigor no final do ano passado.

Segundo divulgou hoje o IBGE, o emprego na indústria ficou estável em 2006, no pior desempenho em três anos. A série da pesquisa mensal de emprego e salário na indústria é recente e mostrou resultados anuais apenas a partir de 2002. Na série histórica anual, os resultados apurados desde o início da série foram os seguintes: 2002 (-1%); 2003 (-0,6%); 2004 (+1,8%) e 2005 (+1,1%).

Denise ressaltou que, mesmo com a estabilidade no ano passado, o emprego industrial mostrou um desempenho melhor a partir do terceiro trimestre. Na comparação com iguais trimestres de ano anterior, a ocupação caiu 0,6% no primeiro trimestre, recuou 0 4% no segundo trimestre e cresceu "moderadamente" 0,3% no terceiro trimestre e 0,6% no quarto trimestre.

Ela destacou também que, em termos setoriais, a produção industrial foi puxada, em 2006, por bens de capital e bens de consumo duráveis, que não incluem os segmentos mais empregadores como calçados, têxtil e vestuário, os três com desempenho negativo no ano passado. Em termos setoriais, as principais influências negativas para o emprego na indústria no ano foram dadas por calçados e artigos de couro (-13,0%), máquinas e equipamentos (voltados especialmente para agricultura, com -6,3%) e vestuário (-6,4%).

Denise observou que a Região Sul, que registrou desempenho ruim na produção industrial em 2006, também mostrou recuo do emprego no ano. No Rio Grande do Sul houve queda de 8,4% no emprego industrial e no Paraná, de 2,1%.