Brasília (AE) – O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), conversou hoje (9) por telefone com o corregedor-geral da Casa, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), e prometeu esclarecer, ponto por ponto, a denúncia de que teria recebido propina. Severino deverá dar uma entrevista coletiva no domingo (11), quando estará de volta a Brasília, depois de sua passagem por Nova York.

Na conversa com Nogueira, de quem é uma espécie de padrinho político, Severino não deu sinais de que pretenda licenciar-se ou renunciar ao cargo. "Ele não me sinalizou nada que leve a pensar isso, não", relatou o corregedor. "Afastar-se ou renunciar é uma decisão pessoal do presidente. Eu não vou interferir", declarou Nogueira, que chegou a ser indicado por Severino para o cargo de ministro das Comunicações.

Diante da insistência de jornalistas, Nogueira foi mais enfático: "Ele não me disse que iria renunciar. Disse que vai rebater as acusações e que é inocente". A uma pergunta se a permanência de Severino na presidência da Câmara seria insustentável, o corregedor afirmou tratar-se de uma situação "desconfortável" até que a denúncia do empresário Sebastião Buani seja investigada.

Nogueira confirmou que o presidente da Câmara será ouvido na corregedoria, assim como todas as pessoas que o estão acusando, "para que se esclareça o mais rapidamente possível essas denúncias, que são tão graves". Nogueira avaliou que o ideal será ouvir Severino no momento em que chegar à corregedoria cópia do cheque com o qual Buani afirma ter-lhe pago propina em troca do direito de continuar explorando o restaurante e lanchonetes da Câmara.