Brasília (AE) – O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse hoje (5), por meio de nota oficial, que pode "tropeçar nas palavras", mas que jamais praticaria algo que manchasse sua "biografia de 40 anos de vida pública". Severino rechaçou a proposta de deixar o cargo em caráter temporário: "Não posso ser colocado à execração pública com acusações sórdidas, irresponsáveis e sem provas." "Jamais irão encontrar nada que desonre o meu mandato", afirmou no texto.

Severino informou também que os contratos na Câmara são renovados anualmente e que o concessionário Sebastião Buani, que explora restaurantes na Câmara e no Senado há mais de 15 anos, sabe desse procedimento. "As acusações veiculadas dizem que eu recebia propinas mensais do senhor Buani, ao longo de todo o ano de 2003. Nesse período eu já não era primeiro-secretário e não detinha qualquer poder sobre os contratos da Casa, o que alega má-fé das aleivosas do senhor Buani." Severino também negou que suas secretárias tenham aberto envelopes com dinheiro da propina destinada a ele. O presidente da Câmara garantiu que suas funcionárias são orientadas a abrir todas as correspondências, mas que "jamais encontraram dinheiro em envelopes".

Com viagem marcada para Nova Yorque para participar de um evento da Organização das Nações Unidas (ONU), Severino passou o dia articulando a defesa das acusações de que teria recebido propina do dono de um restaurante instalado na Câmara. Em busca de apoio para sua defesa, Severino recebeu na residência oficial da Câmara o vice-presidente da Casa, deputado José Thomaz Nonô (PFL-AL), o quarto-secretário, João Caldas (PL-AL), o corregedor Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Benedito Dias (PP-AP).

Ao deixar a residência oficial, João Caldas disse que Severino não vai se afastar do cargo. "Não há qualquer possibilidade de afastamento. Não há provas e todas as medidas foram tomadas", disse Severino a João Caldas.

Antes de viajar rumo aos Estados Unidos, Severino foi, segundo assessores, a uma clínica oftalmológica de Brasília. Para impedir que fotógrafos, cinegrafistas e repórteres o seguissem até a clínica, o motorista do carro oficial onde estava o presidente da Câmara deixou a Península dos Ministros, no Lago Sul, onde fica a casa de Severino, em alta velocidade, ultrapassando o limite permitido.

De acordo com assessores, Severino foi se submeter a um exame de rotina, pois há cerca de 15 dias sofreu uma cirurgia por causa de catarata. Ele iria embarcar à noite para São Paulo, onde pegaria o vôo para Nova York. Na ONU, Severino vai discursar sobre o tema do encontro: "Parlamento e Cooperação Multilateral, Enfrentando os Desafios do Século 21".