Está tranqüila hoje a situação na Ponte da Amizade, que liga o Brasil e o Paraguai. Não fosse pelo pouco fluxo de veículos, seria uma sexta-feira normal. Mas, temerosos de que a aduana paraguaia pudesse ser novamente fechada, muitos motoristas preferiram não arriscar. Já os turistas e sacoleiros foram a pé para fazer as compras em Ciudad del Este.

Desde o dia 7 o tráfego vinha sendo interrompido com freqüência, em razão de protesto de taxistas, mototaxistas e motoristas de transporte alternativo paraguaios. Eles revoltaram-se com o rigor da fiscalização da Receita Federal brasileira, que desde o início do ano tem apreendido veículos com volume de mercadoria que demonstre destinação comercial, o que estaria em desacordo com a legislação brasileira.

Em represália, veículos brasileiros foram parados na aduana e impedidos de retornar ao País. Nos 11 dias de protesto, a maior tensão aconteceu quinta-feira (16), quando várias pessoas encontraram a ponte fechada no lado paraguaio. Quem estava no Paraguai não podia retornar para o Brasil e quem estava do lado de cá não podia ir ao território paraguaio. A revolta dos brasileiros foi dirigida contra policiais que tinham se dirigido ao local exatamente para evitar confronto. A multidão foi dispersa com tiros de bala de borracha.