Brasília ? O presidente da empresa de publicidade SMP&B, Cristiano Paz, disse hoje às Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMI) dos Correios e da Compra de Votos que tinha conhecimento dos empréstimos bancários feitos por Marcos Valério de Souza para o Partido dos Trabalhos, mas atribuiu ao sócio na empresa toda a responsabilidade pela operação destes recursos. "Todas as vezes que chegavam os cheques na minha mesa eu ficava preocupado. Eram pilhas. Eu assinava em confiança (a Marcos Valério). Não vinha cheque nominal a ninguém", contou o publicitário aos deputados e senadores.

Durante os questionamentos feitos pelo relator da CPMI da Compra de Votos, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), o empresário admitiu ter se preocupado com o volume dos empréstimos, cerca de R$ 55 milhões segundo Marcos Valério. No entanto, afirmou que assinou os empréstimos feitos ao Banco Rural "na confiança" que depositava no sócio Marcos Valério que lhe garantia que o PT pagaria a dívida. "Concordo que as operações bancárias não tinham garantias reais", afirmou Cristiano Paz.

Ele disse aos parlamentares ter sabido que o PT não pagou os empréstimos depois que a história veio a tona com as investigações da CPMI dos Correios. "O que era dito para mim é que o PT estava pagando os compromissos do partido", acrescentou Paz.

De 2001 a 2004 o faturamento da SMP&B pulou de R$ 26 milhões para R$ 130 milhões, segundo o deputado Abi-Ackel. Ele perguntou a Cristiano Paz, se este crescimento no faturamento da empresa deveu-se aos aditamentos de contratos que ele já possuía com o governo federal uma vez que a empresa ganhou apenas a licitação dos Correios. O presidente da SMP&B afirmou que este faturamento cresceu, também, pelas contas conquistadas dos governos do Distrito Federal e de Minas Gerais e de três grandes empresas nacionais, entre elas a Telemig.

Cristiano Paz negou conhecer o policial civil mineiro David Rodrigues Alves, que sacou das contas da SMP&B cerca de R$ 5 milhões, em 2003 e 2004. Em depoimento à CPMI dos Correios, Rodrigues Alves disse que o dinheiro era entregue a Cristiano Paz e a gerente financeira da empresa Simone Vasconcelos, além da funcionária da SMP&B, Geíza Dias. O presidente da empresa de publicidade colocou-se a disposição das duas CPMI?s para uma acareação com o policial civil.

Cristiano Paz revelou que Marcos Valério lhe disse que os recursos sacados por David Rodrigues Alves eram para pagar o publicitário Duda Mendonça por meio de sua sócia Zilmar Fernandes. Ele acrescentou que este dinheiro fazia parte dos empréstimos tomados junto ao Banco Rural e que as ordens para os pagamentos a Duda Mendonça partiam do ex-dirigente petista, Delúbio Soares.

O presidente da SMP&B disse ter participado, por duas vezes, de reuniões onde estava presente o ex-ministro da Casa Civil da Presidência da República, José Dirceu (PT-SP), que aconteceram em Brasília. A primeira, segundo ele, foi a convite da direção do Banco de Minas Gerais (BMG). A segunda, teria acontecido no gabinete do então ministro com dirigentes do Banco Rural e o empresário Marcos Valério.

Nos dois encontros, que Paz não precisou as datas, ele disse ter apenas assistido as reuniões. "Acho que o deputado José Dirceu nem lembra de mim. Ele apertou a minha mão na entrada e, depois, na saída", afirmou.