O soldado Ivonei de Souza, um dos 12 policiais militares presos sob suspeita de participação na chacina da Baixada Fluminense, já foi expulso da corporação, por conta de um assassinato cometido em 2002. A decisão, publicada há uma semana no boletim da PM, foi do próprio comandante-geral, coronel Hudson Miranda, que não endossou a absolvição de Souza pela comissão interna que o investigou naquele ano. Miranda determinou que, a partir de agora, todos os casos sejam apreciados diretamente por ele.

Atualmente lotado no batalhão de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, o soldado, que na época do crime servia no batalhão de Queimados, na Baixada, ficou preso de março a junho de 2002, por suposto envolvimento num homicídio. Durante o período, ele foi submetido a uma Comissão de Revisão Disciplinar (CRD). Formado por três oficiais, esta instância, que tem atribuição de julgar se o policial tem ou não condições de permanecer na corporação, o absolveu, por falta de provas.

O comando do batalhão de Queimados ratificou a decisão. Até então, o caso ficara restrito à unidade. Este mês, entretanto, com a inclusão de Souza na lista de policiais suspeitos da matança na Baixada, que aconteceu no dia 31 de março em Nova Iguaçu e Queimados, o comandante-geral avocou o processo para sua análise e decidiu pela saída do soldado. A PM não forneceu detalhes sobre o homicídio hoje.

O relações-públicas da corporação, tenente-coronel Aristeu Leonardo Tavares, não informou se Miranda reviu a absolvição do soldado após a chacina. "Eu não sei que dia ele decidiu", afirmou. Segundo ele, a decisão demorou porque o processo de investigação leva muito tempo.

Para evitar que o corporativismo acabe impedindo que maus policiais sejam expulsos, Miranda estabeleceu que todas as deliberações de CRD sejam submetidas, ao final, ao comando-geral.

Outros crimes

O advogado de Souza, Edson Lima, não foi encontrado hoje para comentar o assunto. Quando seu cliente foi preso, pela Polícia Federal, dois dias depois do assassinato de 29 pessoas na Baixada, ele disse que o soldado respondeu a um inquérito policial por homicídio no município de Queimados em 2004, mas foi absolvido. Ainda de acordo com o advogado, ele teria ainda uma anotação por tráfico de drogas, também no ano passado. As informações não foram confirmadas pela PM hoje.

Durante a apuração da chacina, Souza, que é conhecido entre os colegas como Sandro, foi reconhecido por testemunhas por ter alterado a cena do crime, recolhendo cápsulas do chão, para dificultar o trabalho dos investigadores. Não foi visto atirando. Ele foi indiciado no inquérito da Polícia Federal, concluído na semana passada.

O soldado é suspeito também de integrar um grupo de policiais que extorquem caminhoneiros que trafegam pela Via Dutra. Ao lado de sua casa, em Queimados, a polícia localizou um terreno que, de acordo com denúncias, é usado para manter caminhoneiros reféns até que eles paguem uma quantia determinada pelos policiais.

As proprietárias da casa disseram à polícia que o imóvel foi alugado, em 11 de fevereiro do ano passado, pelo cabo Gilmar Simão, suspeito de ser um dos atiradores, também preso. Simão foi indicado a elas por Souza. O inquérito da Polícia Civil sobre a chacina deverá ser concluído até a próxima sexta-feira.