O protocolo do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não tem registro de pedido de federalização do crime contra a missionária norte-americana Dorothy Stang. A informação é da Assessoria de Imprensa do STF. Desde a morte da missionária, em fevereiro deste ano em Anapu, no Pará, o irmão de Dorothy, David Stang, tenta transferir o processo para o âmbito federal.

A expectativa é de que David Stang formule o mesmo pedido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Ministério da Justiça. Nos dois órgãos também não há, até o momento, registro do pedido da família Stang. Sobre a federelização do crime, no dia 8 de junho, o STJ havia negado por unanimidade o pedido do então procurador-geral da República, Cláudio Fontelles.

David Stang coordena uma comitiva norte-americana que chegou a Belém (PA) na semana passada para acompanhar as investigações do assassinato da irmã Dorothy. Além do irmão da missionária, integram a delegação o advogado da família, Brent N. Rushford; o cônsul especial de Washington, Jeffrey T. Hsu; e o advogado consultor do caso em Washington, Blake Rushforth.

A família Stang acompanha a apuração do crime e as ações adotadas pelo governo e pela Justiça. Em agosto a família enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo especial atenção para a condução do caso.

A missionária norte-americana Dorothy Stang tinha 73 anos quando foi assassinada. Ela viveu 40 anos no Brasil, onde se naturalizou e ficou conhecida internacionalmente por sua luta pela implementação de projetos de desenvolvimento sustentável e por denunciar a exploração ilegal de madeira na região da Amazônia, a grilagem e a violência contra camponeses da região.

A principal linha de investigação da polícia é que o assassinato da missionária foi organizado por um consórcio de fazendeiros influentes e poderosos na região do Oeste paraense, que se sentiam prejudicados com a atuação de Dorothy Stang.

Atualmente, cinco acusados de envolvimento no assassinato de Dorothy Stang estão presos em Belém. São eles os dois pistoleiros, Rayfran das Neves, que disparou os tiros, e Clodoaldo Batista (Eduardo), que acompanhava Rayfran no momento do crime; o intermediário Amair Feijoli da Cunha (Tato) e os dois fazendeiros acusados de serem os mandantes do crime, Vitalmiro Bastos de Moura (Bida) e Regivaldo Pereira Galvão.

Os fazendeiros já entraram com pedido de habeas corpus na Justiça paraense e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para responderem o processo em liberdade, mas os dois tribunais negaram os pedidos.