O deputado Carlos Abical (PT-MT), um dos sub-relatores da CPMI dos Correios, criticou, nesta quarta-feira, a aprovação do requerimento de convocação do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamoto, na CPI dos Bingos. Ele disse que não vê nenhum tipo de vinculação entre o fato determinado da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos e a convocação de Okamoto.

"A meu ver, essa é uma tática que, ao invés de investigar aquilo para que a CPI foi constituída, com legitimidade, mesmo sendo instrumento de oposição, na realidade, vai jogando uma cortina de fumaça sucessiva, sem chegar a bom termo", afirmou Abicalil.

Os parlamentares da CPMI dos Correios já evitaram, por meio de votação nominal, a convocação de Okamoto. Ontem, a CPI dos Bingos aprovou a convocação. Paulo Okamoto teria pago uma dívida pessoal de Lula com o PT, no valor de R$ 29.436,26, entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004. De acordo com nota divulgada pelo partido por ocasião das denúncias, a dívida seria relativa a despesas com viagens em 2002.

O senador Leonel Pavan (PSDB-SC), integrante da CPI dos Bingos, disse que é importante investigar todas as denúncias, independentemente de onde seja feita a apuração. "Tudo que se comentou até agora na imprensa tem que ser investigado e, se existe essa denúncia de que o Okamoto pagou dívidas do presidente ao PT e outras inconveniências, isso precisa ser investigado", disse Pavan. "Confunde um pouco (o foco), mas não perde o mérito da questão", completou.

A CPI dos Bingos foi instalada no Senado em 29 de junho para investigar as atividades das casas de bingo no país e sua possível relação com lavagem de dinheiro e crime organizado.