Rio – As tempestades de inverno na Patagônia, no sul da Argentina, são responsáveis pela separação de famílias de pingüins que vivem naquela região. Os filhotes são as maiores vitimas das correntes marítimas, que os arrastam para litorais como o do Rio de Janeiro nesta época do ano. Nos últimos 30 dias, já foram resgatados 54 pingüins, todos muito debilitados.

Hoje (8), mais um pingüim chegou às praias do Rio. Os animais são resgatados pelos bombeiros e levados para o Jardim Zoológico de Niterói, onde são tratados com remédios contra fungos, vermes e parasitas. Embora vivam em águas frias, os pingüins chegam ao Rio com hipotermia e desidratados. Por isso, são aquecidos em uma estufa, que nesta época do ano já fica reservada no Zoológico de Niterói para recebê-los.

O biólogo Saulo Toledo de Araújo integra a equipe responsável pelo tratamento dos pingüins em Niterói. Ele explicou que a chegada desses animais no litoral brasileiro é normal nesta época do ano e que o número aumentou este ano porque os bombeiros estão mais eficientes e conseguindo resgatá-los com vida. Para ele, as aves se distanciam da costa na Patagônia quando procuram comida e acabam caindo na corrente marítima.

?A pesca predatória está aumentando naquela região e, com a falta de alimentação, os pingüins procuram comida. Os imaturos caem na corrente marítima e não conseguem voltar?, destacou o biólogo.

Ele informou que, além da medicação, os pingüins recebem três refeições diárias, ou seja, 30 peixes por dia, enquanto se restabelecem no Zoológico durante um mês. Depois, eles são levados de avião para o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos, no Rio Grande do Sul, onde são submetidos a vários exames e permanecem por mais um mês. Só então são levados, também de avião, para a Patagônia.

Quem achar um pingüim na praia deve chamar os bombeiros, ?pois o quanto antes for feito o resgate, mais chances de sobreviver terá o animal".