Terminou ontem à noite, depois de quase 9 horas, a rebelião dos 1.174 presos que superlotam a carceragem, feita para 512 pessoas do Centro de Detenção Provisória (CDP) de São José dos Campos, a 85 quilômetros da capital paulista, no Vale do Paraíba.

Localizado na Estrada Pornabi, no bairro do Putim, o complexo prisional foi tomado pelos presos por volta das 15 horas de ontem durante horário de visitas de parentes aos detentos das alas 3 e 4. Simulando estar passando mal, um dos detentos fez com que um dos agentes penitenciários saísse de uma área entre grades – conhecida como "gaiola" – e fosse até o grupo que pedia ajuda ao colega.

No momento em que se aproximou, o agente foi dominado pelos presos, que também tentaram uma fuga. Na tentativa de conter a ação dos detentos – um destes armado com um revólver – outros três agentes foram tomados como reféns. O clima no CDP começou a ficar um pouco mais calmo por volta das 19 horas, quando 60 dos 225 parentes que estavam nas celas e um dos reféns foram liberados.

Policiais militares do 1º Batalhão de Policiamento do Interior (BPM/I) cercaram o complexo prisional e acionaram homens do Corpo de Bombeiros, pois havia possibilidade de os amotinados atearem fogo em colchões e cobertores, mas nada foi destruído dentro do CDP, segundo os funcionários. Nem houve a necessidade de se acionar a Tropa de Choque para terminar com o motim.

Ao serem liberados ontem, alguns dos parentes dos presos afirmaram que os detentos se rebelaram por causa da superlotação que obriga presos sem enfermidade grave ficarem nas mesas celas com colegas infectados por aids e tuberculose. Durante todo o processo de negociação com os rebelados, o que mais se ouvia da boca dos presos era exigência de transferência.

Após ambas as partes entrarem num acordo verbal, o motim foi encerrado e os demais parentes e os três agentes penitenciários foram liberados. Ainda não se sabe quantos presos serão transferidos nem o destino deles.