O agricultor Adilson Batista estava na residência do pai, na área rural de Paula Freitas, Sul do Paraná, quando testemunhou o acidente que matou o deputado estadual Bernardo Ribas Carli (PSDB) e outras duas pessoas, na manhã deste domingo (22). Segundo ele, o avião parecia ter falhas no motor. “Ele passou duas vezes em cima da casa do pai com o motor pifando e caiu aqui”, contou. Fragmentos da aeronave ficaram bem próximos da moradia que fica ao lado do lote de terras em que aconteceu o acidente.

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O avião – um bimotor de pequeno porte -– caiu no terreno de Jair Cubas, patrão de Batista, no meio de uma plantação de eucaliptos. A testemunha disse ter procurado primeiro em um terreno ao lado, mas depois viu o local exato em que estavam os destroços. A localidade fica na comunidade de Bela Vista, área rural do município. Em seguida, o agricultor comunicou a Polícia Militar sobre o acidente.
As causas da tragédia estão sendo investigadas, mas o relato indica que a aeronave perdeu altura e começou a descer sobre os eucaliptos. Após bater nas copas mais altas, foi se fragmentando e, de acordo com os relatos, houve uma explosão ao cair no chão. Segundo fontes que estavam a trabalho no local do acidente, ficou impossível identificar o prefixo ou modelo do avião apenas pelos destroços.
A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros estavam fazendo guarda do local, durante a tarde e início da noite de domingo. O isolamento mantinha curiosos e profissionais de imprensa a certa distância, enquanto aguardavam autoridades do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) para realizarem a perícia e liberarem a área.

Trajeto

O avião saiu de Guarapuava com destino a União da Vitória. Os dados da decolagem detalham que a aeronave era um Piper PA-34-220T Seneca V, prefixo PR-DMC, operado por Siderquímica Indústria e Comércio de Produtos Químicos S/A. Além de Bernardo Ribas Carli, embarcaram o piloto, Laércio Tavares, e mais uma pessoa ainda não identificada.
O parlamentar teria agenda política e iria participar da tradicional festa do motorista em União da Vitória, com o prefeito Santin Roveda. “Eu achei que ele viria de carro”, disse o prefeito. “Eu imagino que o piloto deveria ter consciência que União da Vitória é fechada”, afirmou Roveda sobre as condições atmosféricas que dificultam pousos e decolagens no Aeroporto Municipal José Cleto.
Roveda recebeu uma mensagem de Carli, pouco antes da decolagem de Guarapuava, perto das 8h50, informando que ele iria de avião. O prefeito então foi ao aeroporto da cidade, onde horas depois recebeu informação sobre a tragédia. O governo do estado e a Assembleia Legislativa decretaram luto de três dias.