A revista The Economist afirmou que o presidente Lula está "surfando para vitória" na eleição presidencial de outubro enquanto a campanha do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, "parece desmoralizada". Segundo a revista britânica, apesar dos temores que antecederam sua eleição em 2002, Lula buscou seus "objetivos gêmeos de crescimento e igualdade dentro dos limites de uma política econômica responsável" e, por isso, "o Brasil parece agora um lugar mais seguro".

Os eleitores brasileiros, prossegue a Economist, se vêem diante de uma escolha menos tensa do que há quatro anos. "Os dois candidatos (Lula e Alckmin) fazem a mesma promessa básica: um governo ativo, mas não irresponsável", disse. A "única proposta de mudança radical" vem da senadora Heloísa Helena (PSOL). "Mas a expectativa é que Lula atropelará os dois concorrentes", disse. "Ele tem uma boa chance de obter uma vitória sem necessidade de um segundo turno.

A revista observa que continuísmo gera uma maior conforto. "Mas o Brasil poderia fazer melhor: na economia, crime e corrupção, e na educação para começar", disse. "Para soluções econômicas, Lula e seus aliados olham para um Estado musculoso. O PSDB de Alckmin e seu aliado, o PFL, querem mais espaço para a iniciativa privada. As apostas são mais altas do que parecem".

Apatia – Segundo a revista, "Lula está surfando para a vitória numa onda de bem estar misturada com apatia". Ela observa que o crescimento econômico tem sido estável, mas não espetacular. Além disso, observa, Lula promoveu políticas direcionadas aos pobres. "A apatia é gerada pelos problemas que Lula não conseguiu resolver ou, em alguns casos, agravou", disse. A Economist lembra que as taxas de juros continuam elevadas e a carga tributária saltou para 37% do PIB. "A corrupção nunca pareceu tão espalhada.

A revista afirma que o "brasileiro comum ou ignora esses problemas ou não confia que os políticos os resolverão". Por isso, as pesquisas sugerem que se o voto não fosse obrigatório metade dos eleitores não compareceriam às urnas. "Até agora Alckmin fracassou em furar essa indiferença".

A Economist observa que a campanha do candidato tucano "parece desmoralizada" pois mesmo os candidatos a governador de seu partido o estão ignorando. "Até agora, Alckmin não ofereceu a um eleitorado complacente razões suficientes para mudar de presidente." A revista afirma que Alckmin reclama sobre os juros altos e da sobrevalorização do real. "Domar os gastos públicos, ele corretamente afirma, é a maneira para baixar ambos", disse. "Mesmo assim ele não oferece detalhes sobre os mecanismos indispensáveis para se conquistar isso: mais reformas nas pensões financiadas pelo estado.

Segundo a Economist, mais do que saber quem ganhará a eleição, a grande questão é se um segundo mandato de Lula seria mais produtivo do que o primeiro". Isso "depende muito se ele vai liderar ou não reformas para estimular crescimento e investimentos, ou se juntar à massa de seu partido na resistência a elas". Segundo a revista, o programa de governo de Lula, divulgado na terça-feira passada, não é "encorajador", embora o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, tenha dito que reformas econômicas serão implementadas após as eleições.

A Economist observa que o PT poderá perder cadeiras no Congresso por causa "de seu envolvimento com corrupção". Lula "provavelmente montará uma maioria , atraindo o PMDB e outros partidos famintos por patronagem governamental". Segundo a revista, "se exige uma forte liderança para conter o apetite por dinheiro público" no Brasil. "A menos que a economia mundial não seja mais amigável, um segundo mandato poderá parecer muito com seu primeiro", concluiu.