Brasília – O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, defendeu hoje, após reunião com o líder do Governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), o controle externo do Ministério Público e do Judiciário, matérias que estão em tramitação no Senado. Afirmou no entanto não acreditar que o desvio eventual de alguns procuradores contamine toda uma instituição.

As declarações do ministro foram feitas ao comentar a divulgação da gravação em que o subprocurador-geral da República, José Roberto Santoro, negociava com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o ?Carlinhos Cachoeira?, a entrega das fitas da conversa com o ex-assessor do Planalto Waldomiro Diniz.

Thomaz Bastos disse que desde a Constituinte de 1987 o PT e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) defendem esse controle externo, embora reconheça que o Ministério Público vem cumprindo um papel importante no estado de direito. Considerou que a chamada ?lei da mordaça? poderia representar uma ?correção de rota?. Lembrou porém que essa matéria é da competência do Congresso e que pode entrar em discussão, já que nada pode ser decidido em abstrato, mas a partir de fatos como o envolvimento de três procuradores com o bicheiro ?Carlinhos Cachoeira? em uma reunião na sede da Procuradoria-Geral da República.

O ministro negou que o inquérito sobre o caso Waldomiro Diniz esteja parado na Polícia Federal. Disse que, na verdade, o inquérito foi ?atropelado? pela representação do procurador regional Marcelo Serra Azul, que não levou em conta laudos que precisavam ser feitos, depoimentos a serem tomados, diligências a serem feitas