O senador Tião Viana (PT-AC) ganhou pontos no governo e caiu no conceito da oposição, com quem sempre teve um bom trânsito no Congresso. Em poucas horas, passou de conciliador a traidor. "Ele traiu a instituição no momento em que entrou com o mandado de segurança contra o funcionamento da CPI (comissão parlamentar de inquérito), que é uma atribuição do Legislativo", analisou o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que teve um bate-boca na sala da CPI dos Bingos com Tião Viana, primeiro vice-presidente do Senado.

Ao entrar no Supremo Tribunal com o mandado de segurança para impedir o depoimento do caseiro Francenildo dos Santos Costa, mais conhecido como "Nildo", e preservar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o senador do PT do Acre conseguiu irritar os senadores do PSDB, do PFL e do PDT. Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a administração federal, ao determinar a ação, conseguiu queimar a imagem de "um dos poucos senadores do PT que é respeitado". Desde que surgiram as denúncias contra Palocci, Tião Viana atuou como intermediário dele junto à oposição. A ação foi bem-sucedida: conseguiu poupar o ministro de ataques dos senadores mais radicais, sobretudo, nos momentos mais radicais e de desgaste de Palocci. O apoio da oposição foi fundamental para adiar ao máximo o depoimento do ministro da Fazenda na CPI.

"Agora, ele não tem autoridade para conversar conosco. Destruiu a ponte e perdeu nosso respeito", continuou ACM. Se ficou mal com a oposição, Tião Viana mostrou que é disciplinado e obediente às orientações do Poder Executivo. Foi assim quando líder do PT no primeiro ano da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na opinião de senadores, ele se expôs a uma tarefa que poderia ter sido desempenhada pelo líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), ou pela líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC). "Se a iniciativa viesse da Ideli, não teria problemas, pois ninguém gosta dela mesmo", comentou um senador, numa referência à imagem de truculência da líder.

Apesar da reação de ACM, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), evitou críticas. Disse que Tião, apesar de ter se queimado, teve a "lealdade" de avisá-lo que o governo iria ao Supremo. Se a intenção do Executivo foi blindar o ministro Palocci, a oposição entende que o tiro saiu pela culatra, criando agora um clima de suspeição no ar.