Não porque se trata de mais um caso na violência comum de todos os dias, onde a polícia sempre perde para o bandido e a sociedade se estarrece um pouco mais. Com efeito, esse foi um ato de extrema ousadia, uma mensagem clara de que há, de fato, um poder paralelo comandando o Brasil e os brasileiros, sejam eles do Rio de Janeiro ou de qualquer outro lugar. Tim foi preso quando pretendia mostrar que por detrás de um baile funk existem mais coisas que simples diversão ou sexo. Diante do “alto comando” do sofisticado e milionário negócio da droga foi julgado e sentenciado e executado. Depois cremado e enterrado. Um claro recado: quem ousar entrar neste mundo terá o mesmo fim.

É lamentável que a denúncia veemente das reportagens investigativas de Tim não tenha sido suficiente para mobilizar a ação das autoridades. Precisou que o ato extremado de sua morte ocorresse para arrancar do presidente da República a enésima afirmação de que o crime organizado ultrapassou todos os limites. Igualmente atônito, o presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, promete ação parlamentar imediata. O ministro da Justiça, outrora encarregado de um plano emergencial de combate à violência, trefegamente oferece helicópteros e o reforço da Polícia Federal. Do presidente do Senado a muitos governadores de Estado, a reação de repulsa é a mesma, que toma conta também de organismos internacionais e daqueles de representação de classe no Brasil.

Chegou a hora de agir, disse a Associação Nacional dos Jornais. “É o momento de o Estado e os cidadãos afirmarem sua esperança de que a guerra contra o crime está longe de ser perdida e darem provas inequívocas de sua certeza”, afirma uma nota difundida no domingo último, ainda no calor da indignação causada pela morte do repórter. Na Ordem dos Advogados do Brasil, a morte do jornalista foi interpretada como “uma grande violência contra a democracia e a liberdade de imprensa”, valores nem sempre levados na devida conta pelo cidadão comum.

Que ninguém veja esse crime como alguma coisa distante ou isolada. Em Curitiba ou em qualquer cidade do interior do Estado, a violência comandada pela droga cresce e fabrica, semana após semana, suas próprias estatísticas. E guardadas as devidas proporções, o desafio é sempre o mesmo: a intimidação de todos quantos ousam pelos caminhos da investigação, sejam a polícia (tantas vezes comprometida e mal-aparelhada), seja a imprensa, no papel de uma denúncia cada vez mais rara porque encurralada. Agora chega. O copo extravasou com esse crime hediondo, covarde e provocador. Ou o Estado (e a sociedade) reagem à altura, ou sucumbiremos todos nas mãos do império do mal, em cujo tribunal só se escrevem sentenças de morte.