Rio de Janeiro – A juíza Sônia Maria Garcia, da 4ª Vara de Família de São Gonçalo, município da Região Metropolitana, disse não compreender como poderia estar envolvida com os contraventores presos pela Polícia Federal (PF) na Operação Furação. As informações são do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Segundo divulgado nesta segunda-feira (7) pelo jornal O Globo, ela consta no relatório da PF, em gravações telefônicas feitas pela PF durante a operação. Conforme a notícia, ela foi gravada conversando com o policial civil Marco Antônio Bretas, o Marcão, que está preso, acusado de intermediar propinas entre a Associação dos Bingos do Rio de Janeiro e servidores públicos, incluindo policiais e juízes. As informações de O Globo não foram confirmadas pela Polícia Federal ou pelo TJ-RJ.

A juíza disse que nunca trabalhou com contravenção e nem deferiu liminares que autorizassem o funcionamento de caça-níqueis e bingos. A juíza admitiu, segundo a assessoria do TJ, conhecer o policial Marcos, mas disse que a relação era de amizade. Também afirmou que nunca soube nada a respeito do envolvimento de Marcos com contraventores.

Sônia Garcia, segundo o TJ-RJ, disse que há quase cinco anos atua em varas de família e gostaria de entender de que forma poderia estar beneficiando contraventores sem estar numa vara competente para isso. O TJ-RJ afirmou que irá aguardar a conclusão do inquérito da PF para definir a situação da juíza. Após o fim das investigações, poderá ser aberto um processo no Conselho da Magistratura do tribunal, tanto por pedido do Ministério Público Federal, quanto por iniciativa do presidente do TJ, José Carlos Murta Ribeiro. Até o final do processo, a juíza Sônia Maria poderá continuar desempenhando suas funções normalmente.

De acordo com a assessoria de imprensa do TJ, a juíza está de licença médica desde o dia 3 de maio. Em sua defesa, ela lembrou, segundo o TJ, que trabalhou por cerca de três anos na 1ª Vara Criminal de Bangu, cuja competência é para julgar crimes de homicídio e crimes comuns. Lá, realizou interrogatórios de traficantes dentro do presídio e autorizou inúmeras interceptações telefônicas. Por causa disso, recebeu ameaças de criminosos e foi elogiada no tribunal.

Segundo o TJ, em 2002, a juíza foi para a 1ª Vara de Família da Pavuna e, em dezembro de 2005, para a 4ª Vara de Família de São Gonçalo.